Silêncio em torno de Luxemburgo

Antero Greco

03 de abril de 2015 | 18h05

O medo é sentimento humano – portanto, compreensível, embora nem sempre elogiável. O exemplo maior está no Evangelho, e tem a ver com a Sexta-feira da Paixão. São Pedro prometeu ficar ao lado de Jesus, “até à morte”, mas O renegou por três vezes, logo após a prisão Dele. O Mestre o perdoou e o fez o primeiro chefe da igreja. Difícil, portanto, condenar alguém por essa fraqueza.

Feita a ressalva, lamento o silêncio de técnicos a respeito da suspensão aplicada pelo tribunal esportivo do Rio de Janeiro a Vanderlei Luxemburgo. O treinador do Flamengo foi afastado das funções por ter criticado a federação carioca de futebol e o regulamento que restringe a inscrição de jogadores jovens no campeonato Estadual.

A alegação para a punição? Usou o termo “porrada”, considerado uma incitação à violência. Uma interpretação equivocada, torta, para não dizer maldosa. A palavra, mesmo não sendo delicada, foi claramente empregada no sentido de “crítica”, “repreensão”, “repúdio”. Não como “soco”.

Luxemburgo há dias trata de defender-se e alega cerceamento de liberdade de expressão. E é isso mesmo que ocorre. Os donos da bola, por meio do tribunal, passam o recado para subalternos, empregados menores – entenda-se técnicos e jogadores –, de que devem engolir as determinações sem nenhuma contestação. Mesmo que eles sejam os prejudicados.

Daí se vê Luxemburgo a pregar no deserto, sem que um colega sequer se manifeste, diga o que pensa, também encampe a ideia de romper censura e abusos. Preferem recolher-se, ficar na miúda, como se a história não fosse com eles. Até o momento em que forem atingidos.

O ser humano é essencialmente egoísta, o que muitas vezes o transforma num covarde.