Santos e a perda de pontos irrecuperáveis

Antero Greco

28 Agosto 2016 | 13h54

A matemática clássica para time que pretende disputar título é simples: ganhar o que for possível contra rivais da parte de cima e bater sempre os que estão no fundo da tabela. Pois o Santos não tem seguido essa regra básica. Por isso, não decola para a ponta do Brasileiro. Com 36 pontos, no momento é o quinto colocado e ainda pode perder uma posição, se o Grêmio (35) passar pelo Atlético-MG.

A mais recente derrapada santista aconteceu há pouco, no final da manhã deste domingo. Veio na Vila Belmiro, na derrota por 1 a 0 para o Figueirense, por ora fora do Z-4. Mesmo “pecado” cometido quando recebeu o Internacional, tempos atrás. Nessa conta, entram também derrotas para Coritiba e América, outros que lutam para safar-se da degola para a Série B.

Ou seja, a rapaziada de Dorival Júnior deixou escapar 12 pontos para equipes que vivem fase ruim na competição. Quantidade irrecuperável e que fará falta na hora da arrancada final da temporada. É fato, não especulação. Para amenizar, se servir de consolo, está o fato de que o festival de perde e ganha atinge praticamente todo mundo.

O resultado foi injusto, do ponto de vista de produção. O Santos chutou umas 20 bolas a gol, contra meia dúzia, se tanto, da equipe catarinense. Mas, na prática, o Figueira foi eficiente, pois aproveitou a melhor ocasião que lhe surgiu, no pênalti cometido por Thiago Maia e convertido por Rafael Moura, no segundo tempo. É duro, mas é assim que funciona no futebol.

Uma equipe desesperada não deixou escapulir dos pés o presente que lhe apareceu. E, além disso, teve o goleiro Gatito Fernandez em dia pra lá de inspirado. O moço pegou tudo que lhe veio pela frente. Outro indício de que não era jornada para festa santista.

Dorival recorreu ao que tem de melhor – e só deixou fora Gabriel, que acabara de voltar da Itália e entrou no segundo tempo apenas para despedir-se, antes de defender a seleção e se mandar para a Inter. Gabigol tentou sair com bola na rede, arriscou chutes, deu passes e ficou apenas na vontade. Assim como Ricardo Oliveira, Lucas Lima (que não esteve bem) e o resto da companhia.

O Santos esbarrou num Figueirense compacto e decidido, fórmula tradicional usada pelo interino Tuca Guimarães. A ideia era beliscar um ponto; volta para casa com três. Dorival ainda arriscou-se em substituições ousadas, depois da desvantagem (pôs o meia Jean Motta no lugar do zagueiro David Braz, e Vecchio na vaga de Victor Bueno), porém ficou apenas na boa intenção.