Sonolência tricolor e o empate em Itu

Antero Greco

20 de março de 2016 | 19h28

Nem em Itu o time do São Paulo voltou a ser grande. Na cidade onde tudo se agiganta, o tricolor mostrou um futebol de time pequeno e só empatou com o Ituano, por 1 a 1.

A equipe de Edgardo Bauza completou assim a quinta partida consecutiva sem vencer e vai completar  um mês de jejum, pois o último resultado positivo aconteceu no dia 24 de fevereiro, quando bateu o Novorizontino.

O jogo de Itu foi de uma indolência sem igual. Tudo bem: estava muito calor e o árbitro Flávio Rodrigues de Souza até optou pela parada técnica aos 30 minutos do primeiro tempo. Mas a impressão que se tinha é que os jogadores estavam com os pés presos ao gramado, saídos de um almoço daqueles de restaurantes da própria região ituana, onde um filé à parmegiana alimenta até três pessoas famintas.

O São Paulo teve como novidades João Schmidt e Daniel, mas o ritmo continuou lento, como nos últimos tempos. E restava a sensação de que, se algo de bom acontecesse, viria da inteligência e dos pés de Paulo Henrique Ganso. Mas ele também jogava em câmera lenta e só nos últimos cinco minutos do primeiro tempo o que ocorria dentro do Estádio Novelli Júnior lembrou uma partida de futebol.

O Ituano teve duas chances: uma com Fernando Viana, que mandou na trave, depois de uma falha incrível do zagueiro Maicon, e outra com a bola chegando ao fundo do gol de Denis, mas com o juiz acertou ao dar impedimento. A resposta tímida dos são-paulinos veio na última jogada, com Daniel, mas o goleiro Fábio impediu a abertura do placar.

Pior do que o primeiro tempo seria impossível. E assim, pelo menos, no segundo houve gols e lances de técnica refinada protagonizados por Ganso, que muitas vezes se acende e mostra por que já foi considerado um dos melhores meias do País. Aos 17 minutos, ele entrou na área e recebeu o passe perfeito de Calleri, para desviar sutilmente do goleiro Fábio: 1 a 0 para o São Paulo. Foi o 22.º gol de Ganso em 204 jogos pelo tricolor. Logo depois, mais uma vez ele fez uma jogada de craque e bateu com categoria, tirando a chance de defesa do goleiro ituano. Só que a bola se chocou contra a trave.

Como o Ituano parecia conformado com o resultado, o São Paulo não se sentia ameaçado. E, justo na hora em que Paton Bauza trocou Ganso pelo jovem Lucas Fernandes (promessa da base), Thiago Mendes foi expulso. Então o Ituano ganhou coragem e, numa cobrança de falta para a área, o zagueiro Léo apareceu sozinho para empatar.

O final foi 1 a 1 e mostrou que não será a saída de Ataíde Gil Guerreiro como vice de futebol que fará o São Paulo jogar de novo como time grande.

A próxima oportunidade de vitória virá no meio de semana contra o Botafogo. Até lá, Paton quebra a cabeça para encontrar alguma fórmula mágica.

(Com reportagem de Roberto Salim.)

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.