Um SP de sonhos

Antero Greco

29 de abril de 2016 | 00h21

Um são-paulino sonhou que o time era o mesmo da época de Telê Santana: vibrante, técnico, com um meia jogando o fino da bola, com um centroavante artilheiro, com entrosamentos e com uma torcida de mais de 50 mil pagantes no estádio.

Esse personagem imaginário acordou no Morumbi um pouquinho antes do início do jogo, exatamente na hora em que a torcida gritava o nome de Telê, que partiu há dez anos. Era uma homenagem e uma premonição: os tricolores previam jogo de encher os olhos contra o Toluca.

E foi.

O time mexicano foi esmagado por Paulo Henrique Ganso e companhia. O meia jogou como nos bons tempos do Santos, em que era o parceiro do menino Neymar e nome certo para a seleção. Entrou em campo com luvas. E esquentou a partida com passes perfeitos, finalizações e comando técnico.

Os adversários não viram a cor da bola. No primeiro tempo só deram um chute ao gol de Renan Ribeiro, assim mesmo em um escanteio. De resto foi São Paulo do início ao fim. Um bombardeio de 45 minutos, com direito a duas bolas na trave e defesas importantes de Talavera.

O primeiro gol foi de Michel Bastos, que comemorou como se se livrasse de uma maldição.  O segundo, de Centuriòn, que comemorou dançando a cumbia. O Toluca parecia um time infantil jogando contra os profissionais de Edgardo Bauza.

E o show prosseguiu no segundo tempo. O ritmo tricolor era intenso: Thiago Mendes tabelou com Ganso e fez o terceiro. E Centuriòn, que jogou no lugar de Calleri, honrou a camisa, marcando o quarto. Um atropelo e tanto. E qual o segredo? O São Paulo jogou bola, não se preocupou com as bobagens que se repetem a toda hora, na base de “Cuidado com a catimba dos gringos!”, “Não se deve entrar na pilha deles!” e assim por diante.

Venceu como se espera de quem tem títulos e tradição na Libertadores. Vitória para jamais ser esquecida e que pode sinalizar novo rumo daqui em diante.

Com 4 a 0, o São Paulo já está a milímetros das quartas – só um desastre tricolor e um milagre para os mexicanos, na semana que vem, pode mudar essa história, que deve ter um sopro de mestre Telê.

(Com participação de Roberto Salim.)

 

 

 

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