Técnicos caem aos montes. Projeto?!

Antero Greco

06 de agosto de 2015 | 20h25

Não vou entrar no mérito de demissões de técnicos, pois nem todas são injustas. Há casos, de fato, em que não houve “liga” entre treinador e jogadores. Existem situações, também, em que se pode considerar terminado um ciclo, em geral depois de bons resultados e algum desgaste. Enfim, mudanças ocorrem na vida, em qualquer atividade.

Mas, vamos falar sério: de maneira geral, continua a esculhambação na relação desses profissionais com os clubes. É a categoria mais escrachada no futebol, sobretudo daqui. Quando chegam, são tratados como os salvadores da pátria, os “professores”, os tops de linha e os gestores indicados para botar o time no rumo certo. O blablablá de sempre e que já encheu.

Passa um período, vêm resultados oscilantes e os caras são despejados sem mais nem menos. Assim, de uma hora para outra. Até logo, passar bem e… daí chamam novo comandante, que pouco antes havia sido demitido de outra agremiação. E a roda continua a girar, a girar, a girar…

Agora é o caso de Diego Aguirre. O uruguaio ficou oito meses no Inter, na maior parte do tempo sendo fritado. A conquista do estadual, e em cima do Grêmio, deu uma segurada, assim como a Libertadores. Bastou a desclassificação no torneio continental e… pé no traseiro. Bem antes de novo Gre-Nal.

Aguirre pode ter cometido erros, como é normal, e talvez o erro maior tenha sido a contratação dele. O pessoal no Colorado não esconde que era a sexta opção, após a saída de Abel Braga. Sexta!

Não tinha mesmo como durar, e até que ficou muito tempo. Não se pode esperar boa vontade de um clube que, de certa forma, se consola em trazer a sexta alternativa de uma lista porque as demais fizeram água. Está na cara que não faltariam narizes torcidos para ele, à espera de vacilos. E que vieram. Como ficou claro agora que era conversa da direção quando dizia que o objetivo era a Libertadores e dane-se o Brasileiro…

O mais importante, na vigésima (isso, foram 20!) demissão de técnico na Série A até agora, é escancarar a balela do “projeto”. Com raríssimas exceções, não há planejamento nenhum, mesmo em times de peso e tradição. O negócio é ganhar, a qualquer custo, na maior parte das vezes na base do seja o que Deus quiser.

Tem muito papo furado no mundo da bola. 

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