Templo da perdição

Antero Greco

20 de setembro de 2010 | 13h18

Tenho birra com estatísticas que viram argumento para justificar qualquer tese e rechear textos ou transmissões esportivas com “informação diferenciada”. Também não sou supersticioso. Jamais! Isola, pé-de-pato, mangalô três vezes! Mas não resisti à tentação de dividir com vocês uma curiosidade em relação ao Palmeiras. Incômoda, é verdade, mas que pode servir para alguma reflexão ou para gastar um tempo em conversa de botequim.

Desde que voltou a usar o Pacaembu para mandar seus jogos, o Palestra tem quebrado a cara. Em dez jogos em que lá se exibiu, após o fechamento do Parque Antártica, coleciona 3 vitórias, 3 empates e 4 derrotas. Ganhou de Santos (2 x 1), Atlético-PR (2 x 0) e Vitória (3 x 0, pela Sul-Americana). Os empates foram com Botafogo (2 x 2), Corinthians (1 x 1) e Vasco (0 x 0). As derrotas: 0 x 1 (Flamengo), 0 x 3 (Atlético-GO), 2 x 3 (Cruzeiro) e 0 x 2 (São Paulo).

Retrospecto fraco, que leva o torcedor a achar que o estádio municipal dá zica a seu time. O templo sagrado do futebol paulista virou templo da perdição para os palestrinos. Não há dúvida de que faz falta o aconchego do velho campo no bairro de Perdizes, à espera de liberação para a grande reforma. Mas será que se trata apenas de localização? Não seria simplista afirmar que o Palmeiras que agora joga de aluguel perdeu um trunfo?

Pois o Pacaembu foi cenário de grandes conquistas verdes. De memória, cito três episódios de festa. O primeiro só os mais veteranos vão lembrar: o Paulista de 1963. Foi contra o Noroeste e o Palmeiras tinha jogadores como Djalma Santos, Djalma Dias, Julinho, Servílio, Vavá, Ademir da Guia. Nove anos mais tarde, outro título paulista (empate com o São Paulo) e na equipe estavam Leão, Luís Pereira, Dudu, Ademir, Levinha, César. Em 1994, no tetra do Brasileiro (sobre o Corinthians) jogavam Roberto Carlos, César Sampaio, Zinho, Rivaldo, Edmundo, Evair. Todos defenderam a seleção brasileira em algum momento.

No derrota de domingo para o São Paulo, pelo Brasileiro, o Palmeiras teve em campo Tadeu, Luan, Vítor, Fabrício, Tinga, Maurício Ramos, Danilo… E olhe que não jogaram Edinho, o novo Rivaldo, Dinei, Márcio Araújo… Ainda tem quem venha falar em azar?! Isso tem outro nome.

Tudo o que sabemos sobre:

futebolopiniãoPacaembuPalmeiras

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.