Tevez vale os R$ 90 mi que o Corinthians quer pagar?

Tevez vale os R$ 90 mi que o Corinthians quer pagar?

Antero Greco

12 de julho de 2011 | 17h26

O Corinthians admite ter oferecido em torno de R$ 89 milhões para tirar Tevez do Manchester City. O clube inglês rejeitou a proposta e só se dispõe a liberar o argentino por quantia que gire em torno de R$ 110 milhões. O time brasileiro, pelo visto, ainda não desistiu e pode voltar à carga para ter o jogador que foi o símbolo da campanha do título nacional de 2005.

Se a transação se realizar, tratar-se-á de um dos maiores atrevimentos da história recente do futebol no Brasil. Não há jogador que valha essa quantia para o mercado interno. Lá fora também seria exagerado, exceções feitas a Messi e Cristiano Ronaldo. Se os europeus estão acostumados a jogar dinheiro pela janela, problema deles. Não é por acaso também que muitos estão com a corda no pescoço e entregues a aventureiros endinheirados. Por aqui, essa soma foge totalmente de qualquer parâmetro sensato.

O Corinthians alega que o investimento seria pago em quatro parcelas, e com parte das cotas de televisão que receberá nos próximos anos. Também acredita que os salários, algo como 10 milhões de euros por temporada (R$ 23,5 mi), seriam abatidos com a venda de camisas e ações de marketing. Ok, se isso se tornar viável, terá de arcar também com inflação geral em sua folha de pagamentos. Ou os demais aceitarão ganhar “ninharias” como salários de 100, 200 mil reais?

Jogada atrevida para quem tem quase isso (pouco mais, pouco menos) de dívidas a vencer. Encargos que vêm já de algum tempo, mesmo da época da finada parceria com a MSI, aquele fundo até hoje mal explicado que tinha como gestor Kia Joorabchian. O mesmo Kia que controla a carreira de Tevez e o leva pra cá e pra lá. O mesmo Kia que Andrés admira, com o quem nunca rompeu e  ao qual se refere como o parceiro que todo clube brasileiro gostaria de ter…

O mais curioso, nessa história, é que a agremiação dirigida pelo intrépido Andrés Sanchez – que faz muito e fala mais ainda – está em destaque, no que se refere ao noticiário do Mundial de 2014, por se beneficiar de isenção fiscal de R$ 420 milhões outorgada pela prefeitura de São Paulo e por levar outro tanto de dinheiro do BNDES para erguer seu estádio.

Se tem dinheiro sobrando para bancar um jogador que não vale isso – o que não diminui a importância dele, que fique bem claro –, então por que busca tantos recursos públicos para construir uma arena privada? Há coisas que só acontecem no Brasil.

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