Tiroteio no prato

Antero Greco

19 de novembro de 2015 | 13h13

O esporte brasileiro vive raríssimos momentos de calmaria. No tiro, então, o barulho é constante: tanto pelas características da modalidade, como pelas brigas políticas que afetam os competidores de todo o País. Agora mesmo, o luxuoso Centro Nacional de Tiro Esportivo não pode ser usado para treinamentos porque está em reformas.

Isso mesmo, a obra mais cara dos Jogos Pan-americanos de 2007 – cerca de 105 milhões de reais -, passa por reformas para a Olimpíada, mesmo tendo sido pouquíssimo utilizada de lá pra cá.

Mas isso é o de menos: a briga vai quebrar mais pratos que os melhores atiradores da fossa olímpica. É que a Confederação Brasileira da modalidade resolveu revelar aos atletas olímpicos que o técnico italiano Carlo Danna – um dos melhores do mundo – não terá contrato renovado. O acordo atual vence em dezembro.

“Somos afetados pela vaidade da confederação”, lamenta a atiradora Janice Teixeira, classificada para a Olimpíada, na fossa olímpica. “São brigas políticas que só nos atrapalham”. Janice treina com Danna desde 2005.

O italiano está no Brasil desde 2003 e sempre trabalhou com os melhores atiradores. Atualmente orienta também a paulista Daniela Carraro, que participa do “skeet”. No masculino,

prepara  os atiradores Rodrigo Bastos e Roberto Schmits, da fossa olímpica.

Os atletas prometem protestar e segurar Carlo Danna no Brasil. Não vai ser fácil. E como pouca confusão é bobagem, Rodrigo Bastos vai entrar na Justiça para obter a vaga que a Confederação Brasileira entende ser de Schmits.

O tiroteio promete!

(Com reportagem de Roberto Salim.)

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