Torcida de Pato e a liberdade de expressão

Antero Greco

19 Novembro 2015 | 00h20

Uma declaração de Pato provocou bafafá nesta quarta-feira. Em entrevista coletiva, depois de treino do São Paulo, o atacante disse que torcerá para o Palmeiras, na final da Copa do Brasil. E explicou a preferência por admirar o trabalho de Paulo Nobre, presidente palestrino.

Pronto, foi um tal de criticar aqui e ali. O centroavante tricolor não poderia ter sido tão abusado na opinião porque, assim, desrespeitaria a própria agremiação. E por quê? Porque, se o Santos ganhar a Copa do Brasil, pode ser que o São Paulo se beneficie e fique com vaga na Libertadores.

Além disso, o moço teria mostrado desapreço pelo clube que defendeu nas últimas temporadas e que o tirou do ostracismo no Corinthians. O correto, então, era ter ficado no muro e se limitar às declarações fúteis e sonsas de sempre – nas quais, aliás, ele é mestre.

A situação é curiosa. Vamos partir do pressuposto de que ele só externou um sentimento. Qual o problema? Onde o menosprezo com o São Paulo? O time dele tem 53 pontos, um a menos do que o Santos, faz ainda quatro jogos e tem condições de garantir-se na Libertadores por conta própria. Desafio com o qual deve preocupar-se, sem imaginar que pode herdar um lugar no torneio.

Falamos tanto em liberdade de expressão, bradamos contra qualquer tipo de censura, lamentamos o blablablá de jogadores e dirigentes. Daí, quando um aparece e sai do lugar-comum, dá-lhe reprimendas.

Se Pato tentou alisar o Palmeiras, na suposição de que possa vir a ser contratado, também não há mal algum. O São Paulo já disse que não tem dinheiro para bancá-lo e para o Corinthians ele não quer voltar. Como não ofendeu ninguém, cadê a falta de ética.

Amigos, somos moralistas demais.