Transparência olímpica

Antero Greco

22 de março de 2016 | 17h18

Décadas atrás um presidente do Palmeiras, em dificuldades financeiras, desviou o dinheiro da venda de Luis Pereira e Leivinha para o futebol espanhol. Era o senhor Jordão Bruno Sacomani. O time alviverde pagou caro pela traição dentro do próprio corpo. E ele depois devolveu o dinheiro subtraído.

Hoje a Operação Lava Jato desembarca no Corinthians, detém o vice-presidente André Luiz Oliveira, investiga a construção da Arena de Itaquera, analisa doações a campanhas políticas de gente ligada ao Timão.

Caso fique provado tudo o caso do senhor Sacomani vira historinha infantil perto do escândalo atual. Aliás, o esporte nacional, mundial, é um grande e lucrativo negócio para muita gente.

Ficamos aqui imaginando se uma investigação semelhante (sem fins políticos ou desconfianças mesquinhas) se debruçasse sobre a organização dos Jogos Olímpicos do Rio.

Algo como um movimento para que os gastos ficassem aparentes, explícitos, sem dúvidas sobre os objetivos dos organizadores. Algo como um relatório que justificasse as obras, que as alternativas fossem discutidas e não impostas.

Não, não precisava ser uma operação do porte da Lava Jato. Um simples olhar e um relatorinho sobre o que aconteceu na pista do Estádio Célio de Barros, de atletismo, ali ao lado do Macaranã.

Uma pequena investigação sobre a construção do Centro Nacional de Tiro Esportivo; sobre as reformas no Maracanãzinho; sobre a construção do Engenhão; sobre a construção de um campo de golfe em uma área em litígio. Sobre a desocupação da Vila Autódromo.

Explicações sobre a derrubada do velódromo que custou R$ 14 milhões e a construção de um novo, apenas alguns anos depois, por R$ R$146 milhões. A propósito: o que sobrou da demolição do primeiro velódromo – construído para o Pan de 2007 – foi levado para a cidade de Pinhais, ao lado de Curitiba.

Que fosse uma operação sem fins eleitorais.

Explicações que o próprio Comitê Olímpico Brasileiro e a prefeitura do Rio se encarregassem de dar ao público, ao povo, aos esportistas, aos jornalistas…

Só para que todos soubessem que o dinheiro foi muitíssimo bem aplicado.

Se não conseguissem explicar que, pelo menos, o dinheiro fosse devolvido ao esporte. Só isso já cairia bem.

(Com participação de Roberto Salim.)

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