Terceira e doída quebra da nau vascaína

Antero Greco

06 de dezembro de 2015 | 19h23

O torcedor do Vasco acreditava em milagre – e só uma intervenção divina salvaria. O time foi para a última rodada do Brasileiro sem depender de suas próprias forças. Precisava ganhar do Coritiba e ainda torcer por tropeços de Avaí e Figueirense. Só assim para se salvar.

Não deu certo. O Figueirense ganhou do Fluminense, o Avaí empatou com o Corinthians e o Vasco não saiu do 0 a 0 em Curitiba. Quer dizer, mesmo se os outros dois tropeçassem, a turma de Jorginho não fez a parte dela. E veio a terceira queda para a Série B.

Rebaixamento cantado, desde o primeiro turno. A campanha horrorosa (13 pontos), as trocas de técnico e a intranquilidade indicavam que a Segundona viria à tona outra vez. Houve reação espetacular e digna, com a chegada da dupla Jorginho/Zinho, mas insuficiente para evitar o pior.

A nova etapa de amargura não é de agora. O Vasco faz tempo entrou no limbo do futebol. Uma história centenária, bonita e popular vem sendo depredada há muito por administrações equivocadas, ultrapassadas, atrapalhadas. Começou no longo reinado de Eurico Miranda, continuou no breve período de Roberto Dinamite e voltou a dar o ar da desgraça com a ressurreição de Eurico.

O presidente atual é tudo o que o futebol não aceita mais: o personalismo no comando, o caudilho, o senhor absoluto, o dono. Não há mais lugar para o estilo Rei Sol, o homem que se confunde com a instituição. Eurico não é Vasco! O Vasco não é de Eurico! O Vasco é maior do que Eurico e qualquer outro cartola!

Isso que o torcedor tem de botar na cabeça de uma vez por todas. Chega de salvador da pátria, basta com os homens fortes, um bico nos todo-poderosos, que saiam de cena os autoritários. O futebol, o Vasco, assim como a vida, precisam de modernização, transparência, democracia. Profissionalismo.

O Vasco não caiu porque “os deuses do futebol quiseram”. Isso é besteira. O Vasco caiu porque a mentalidade que o guia caiu faz tempo, precisa ser enterrada e ainda não se deu conta disso.

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