Um pra lá, outro pra cá*

Antero Greco

10 de fevereiro de 2014 | 11h59

O Corinthians se encrencou de novo, o Palmeiras perdeu os 100% de aproveitamento, embora continue invicto. O São Paulo negou fogo outra vez. E a Lusa dá sinais de reação! Ganhou, e com folga. Assuntos para a crônica de hoje surgiram em abundância, como a chuva gostosa e bem-vinda que caiu em algumas regiões da cidade, no final da tarde de ontem.

Mas destaque pra valer ficou para Mirita. Ouviu falar dele? Provavelmente, só se for da região de Ribeirão Preto ou fanático pelo futebol do interior. O rapaz é de lá – ou pelo menos começou no Botafogo e ainda teve passagem pelo Comercial. Zagueiro, 28 anos, rodado, foi contratado por exigência do presidente/craque Rivaldo, de olho nele havia algum tempo, desde que estava em Cuiabá.

Mirita teve momento de holofote total na carreira – e por um gol a favor e outro contra, no Mogi Mirim 1 x Corinthians 1. Ambos no primeiro tempo. Ele abriu o placar para o time da casa, numa cabeçada certeira, aos 37 minutos, e com direito a aplausos pela proeza diante de adversário esquisito no futebol e na cor do uniforme. (Camisa amarela com calção preto soou estranho. )

Ficou cheio de prosa e dono da zaga do Sapão. Mas a alegria dele durou pouco. Mais precisamente cinco minutos: aos 42, tentou cortar cruzamento de Uendel e mandou para as próprias redes. Novas palmas, agora da torcida alvinegra. De gozação – e de alívio, também, porque a coisa estava feia. Pra terminar a saga, em alto estilo, no final do jogo deu uma entrada pra rachar o Emerson e levou o vermelho!

Mirita não é o primeiro a entrar no álbum dos goleadores acidentais. Lembro de um Palmeiras x Corinthians, dos anos 1990, em que Oseas saiu ovacionado, vaiado, aplaudido ou sei lá o quê, por ter feito um lá e outro cá. Centroavante acostumado a cabecear, meteu uma testada com gosto num escanteio, a favor do Corinthians. Um golaço contra. Depois, ele empatou.

A bola tem pegadinhas. E o Mirita vai contar essa história por muito tempo. Os amigos vão pedir-lhe para repetir, um milhão de vezes, como foi aquele domingo em que se comportou, ao mesmo tempo , como Tiradentes e Joaquim Silvério dos Reis, libertador e traidor. Hoje pode ser chato falar disso. Com o tempo, será a medalha dele, o troféu maior que conquistou no futebol. Mancadas dessa significam vida.

E o Timão? A maré não está nada mansa para Mano Menezes e rapaziada. Mudanças na escalação se intensificam, como o aproveitamento de Zé Paulo ontem, além da permanência de Fagner e Uendel na defesa e até o aproveitamento de Ramirez. Na prática, porém, não alterou quase nada, a equipe continua na cadência desanimadora que se arrasta desde o ano passado.

No primeiro tempo, festejou gol contra. No segundo, viu o Mogi vir para cima com gosto, vontade e atrevimento. Bem desabusado. Mano mexeu, com as peças de sempre – Danilo, Guerrero, além dos indefectíveis Romarinho, Emerson. Difícil apostar em reviravolta. Só milagre para reanimar o torcedor. E o prodígio pode vir no clássico com o Palmeiras. Vitória no dérbi redime quase tudo.

Vacilo verde. O Palmeiras jogou mais do que o Audax, na fase inicial da partida no Pacaembu. Teve imponência suficiente para construir a sétima vitória em seguida no Paulistão. Porém, caiu no conto da presunção e levou susto com a vantagem do ajustado time de Osasco. O líder do campeonato teve forças para chegar ao empate e desperdiçou a chance da virada com o pênalti mal cobrado por Alan Kardec (e pra mim mal marcado pelo árbitro). Melhor um sobressalto na etapa de classificação do que nos duelos eliminatórios.

Gangorra tricolor. O São Paulo vai daqui para ali, pra cima e pra baixo. Numa hora joga com harmonia, para em seguida sair do tom. Foi assim, nos 2 a 1 para a Ponte, em Campinas. Jogou meia hora de bom futebol, depois caiu no lugar-comum.

*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, segunda-feira, dia 10/2/2014.)

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