Uma bola no travessão que pode significar um título…

Antero Greco

28 de junho de 2012 | 00h36

Não sou supersticioso, não sei se você é. Mas a bola do Viatri que bateu no travessão, aos 45 minutos do segundo tempo, tem cheiro de lance de time campeão. Não, não o Boca Juniors desta vez. Mas o Corinthians! Sim, senhor, isso foi sorte de quem está com os astros a iluminar seu caminho.

Não ficou convencido com o primeiro parágrafo? Então, digo mais. O Romarinho entrou aos 37 minutos da etapa final e na primeira bola que pega dá uma cavadinha na frente do grandalhão Orion e empata o jogo num momento em que começava  a bater angústia nos corintianos. Isso não é indício de que, agora, ninguém vai segurar a pressão no Pacaembu, na semana que vem? Olha que é…

Um grande jogo? Não. Seguiu o script que se imaginou desde que, dias atrás, os dois se classificaram. O Corinthians não se arriscou, o Boca se enroscou na boa marcação brasileira, criou poucas oportunidades e só despertou no segundo tempo, quando partiu pra cima, chutou mais e ficou em vantagem com o gol de Roncaglia, após desvio de Santiago Silva. No lance, Chicão ainda botou a mão na bola, que resultaria em pênalti e em expulsão. Para  sorte do Corinthians, a bola entrou e o juiz desconsiderou a falta.

Parecia decidido o destino da primeira parte da decisão. Só parecia. Até que Tite resolveu tirar Danilo e colocar Romarinho, que jornais argentinos chegaram a chamar de filho do Romário. Pois o rapaz honrou o nome do craque e  nem ligou para a mística de La Bombonera, fez o gol como se estivesse disputando uma partida no interior de São Paulo, de onde ele veio.

O gol balançou o Boca, se pôde ver pelo semblante surpreso dos jogadores. Os últimos minutos foram de tensão para ambos os lados. E o Boca saiu com gosto amargo ao ver a bola final tocar no travessão e, na volta, roçar na perna de Cvitanic e foi pra fora.

Era o ato derradeiro de uma final equilibrada, em que as duas equipes souberam anular as armas rivais. O Boca bloqueou o contragolpe rápido corintiano, tanto que foram poucos os lances para Emerson, Liedson, Paulinho concluírem. Da mesma forma, Riquelme apareceu menos do que de costume, Santiago Silva e Mouche foram sempre seguidos de perto, os laterais não desceram.

O panorama para o segundo jogo não mudará muito. O Corinthians manterá seu estilo, marcará mais à frente e tentará surpreender no contra-ataque. O repertório do campeão brasileiro não é tão vasto. O Boca apostará em sua história, nos títulos já conquistados, e na eficiência como visitante. Uma disputa aberta, em que não se pode falar antecipadamente de favoritismo.

Mas para os otimistas há um detalhe a ser considerado: o Corinthians tem uma carta na manga,  o Romarinho, que não é filho de Romário, mas faz gols à la Romário.

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: