Uma chacoalhada às vezes faz bem

Antero Greco

22 de agosto de 2013 | 03h18

O Corinthians perdeu para o Luverdense. Resultado estranho, anormal, surpreendente. Diria, até, exótico. Mas daí a imaginar que o 1 a 0 da noite desta quarta-feira no Mato Grosso decrete o fim de Tite e sua turma vai uma distância boa. É de um exagero exemplar. Assim como carrega excessiva dose de ênfase afirmar que se trata de vexame histórico.

Pra começo de conversa banalizaram o termo “histórico”. A todo momento, qualquer resultado que saia do habitual, no esporte que for, vira único, singular. É preciso dar conotação extraordinária para valorizar o que se está a mostrar, a narrar. Calma lá. É a mesma coisa que classificar como craque todo jogador que dê dois ou três toques diferentes na bola.

O Corinthians não acabou, não fazem parte do passado as conquistas importantes dessa rapaziada. Leve-se em conta que, dentro de uma semana, haverá o segundo jogo, no Pacaembu, e a disputa continua aberta. Pode até ocorrer desclassificação, que entrará na lista de vexames, que não são poucos para um clube que tem mais de 100 anos.

E, se isso acontecer, também não será fato inédito. A Copa do Brasil tem uma coleção de placares estonteantes. Muitos dos grandes do país já sofreram derrapadas e tanto diante de rivais de menor peso. Tem inclusive campeões com brilho esporádico, e nessa lista se podem incluir Criciúma, Juventude, Paulista, Santo André. E curto demais essas saídas de rota; elas que fazem a competição gostosa de se acompanhar.

O arrazoado dos parágrafos anteriores é para deixar clara minha opinião. O que não me impede de reconhecer que o Corinthians foi um fiasco no simpático estádio de Lucas do Rio Verde. Nem tanto no primeiro tempo, em que sofreu pressão do time da casa, mas soube equilibrar, tocar a bola e criar algumas situações para ficar em vantagem.

A desandada foi na etapa final. O time pregou, emperrou, não acertou em nenhum setor. Sem contar que teve certa empáfia, postura presunçosa de que venceria no momento que quisesse. Não foi assim, e o Luverdense, na base da raça e da velocidade, encarou o campeão do mundo como se fosse um rival da Série C nacional, na qual vai bem, obrigado.

O jogo se complicou de vez para o Corinthians quando perdeu Romarinho e, pouco depois, Emerson, que se enroscou em bate boca com Zé Roberto. Todos levaram vermelho. Não houve um destaque sequer na equipe paulista, que se mostrou confusa na forma de jogar. E, para fechar a noite amarga, tomou gol quase no fim. E gol irregular, pois Misael, o herói local, tacou a mão na bola, antes de emendar de esquerda para bater Cássio.

Uma chacoalhada de vez em quando é bom pra fazer a turma acordar. De Tite a Danilo, de Ralf a Pato – que, aliás, anda numa fase sem graça…

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