Uma sugestão para Ronaldo

Antero Greco

24 de fevereiro de 2011 | 16h11

Ronaldo lamentou, via tuíter, que jogador não tenha direito a aposentadoria. Com a ressalva de que não advogou em causa própria – acredito, pois renda é o que não lhe falta. Lembrou ainda que “93% da categoria recebe salário mínimo”. Não sei os números exatos, mas a classe à qual pertenceu até a semana passada é formada, em enorme maioria, por “operários da bola” e não por galácticos e popstars da bola.

Mas o craque que agora vive seus dias de aposentado cometeu um equívoco. Jogador de futebol, como qualquer cidadão e trabalhador, pode aposentar-se pelo INSS. Para requerer o benefício, porém, precisa contribuir (pagar um tanto por mês) por 35 anos no mínimo ou chegar aos 65 de idade. O valor do benefício final vai variar de acordo com uma série de fatores – e em geral fica bem aquém do que imaginávamos e merecíamos. Infelizmente.

Ronaldo, embora milionário graças a seu talento, também tem esse direito – justo, sagrado até, desde que tenha dado sua parcela. A minha foi descontada do salário durante 38 anos e um mês, na bucha. Recentemente, virei um aposentado. E, felizmente, sem a necessidade de intermediários.

Jogador não exerce profissão de risco, o que o incluiria numa categoria especial. Além disso, ao pendurar as chuteiras, por volta dos 30 e tantos anos de idade, não se transforma num incapacitado para a vida. Cronologicamente, é jovem ainda; portanto, em condições de tocar a rotina em outra atividade. E continuar a pagar o INSS, com o carnê que pode ser encontrado em qualquer papelaria ou ser pago pela internet.

Ronaldo talvez tenha confundido jogador de futebol com algumas castas especiais, que nem vale a pena a gente falar porque dá enjoo, mas você sabe quais são. Por isso, achou que parar na profissão significa automaticamente receber aposentadoria do INSS. A realidade não é essa.

O Fenômeno não me lê, nem sabe quem eu seja; conversamos uma ou outra vez, nada além disso. Mas me atrevo a fazer uma sugestão ao ídolo de tanta gente: por que não aproveitar a popularidade e liderar campanha de conscientização dos atletas, no sentido de que contribuam para o INSS desde de o primeiro contrato? E também fiscalizem se os clubes recolhem a parte que lhes cabe.

Também poderia sugerir a colegas mais abastados que completem a aposentadoria oficial com um plano de previdência privada. Seria uma atitude louvável. Quem sabe, não poderia ter ajuda de Romário e Darnlei, hoje deputados, bem de vida, mas que conhecem as agruras dos bagrinhos do futebol? Taí a ideia.

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