Uma vitória contra a Suécia e tudo volta ao normal?

Antero Greco

15 de agosto de 2012 | 18h03

Há quem se esforce muito para colocar panos quentes na seleção brasileira. Para essa parcela da crítica (e da torcida), as oscilações, as frustrações causadas pela equipe têm menos peso do que eventuais sucessos. Parece que o time nacional obrigatoriamente precisa ser elogiado; caso contrário, se trata de um gesto de antipatriotismo.

Mas me nego a remar nessa maré. Por isso, reafirmo que o Brasil não tem jogado bem, e não é de hoje. Desde os tempos de Dunga, para ficar na história mais recente, a maioria das apresentações da “amarelinha” tem sido aborrecida, chata, enfadonha. Com raros momentos de brilho. Foi assim com o treinador que saiu de cena após a derrota para a Holanda no Mundial de 2010, tem sido dessa maneira com Mano Menezes.

Outra prova de que a seleção não anima veio na tarde desta quarta-feira (horário de Brasília), no amistoso com a Suécia, em Estocolmo, no adeus ao Rasunda, estádio em que se iniciou, em 1958, a saga dos cinco títulos mundiais. Mano e seus rapazes voltam para casa com vitória por 3 a 0, e certos de que, com isso, diminuiu o peso da decepção provocada pela final olímpica.

Só que trazem na bagagem outro resultado ilusório. Não foi exibição exuberante, e até aí nada de diferente do que ocorreu em ocasiões anteriores. O máximo que se pode considerar é que baixa um tanto a poeira – e há dúvidas até a esse respeito. O Brasil ganhou de uma Suécia diferente daquela que disputou a Eurocopa e ainda desfalcada de Ibrahimovic, seu principal jogador. Bateu um adversário que mal deu um chute a gol.

É possível alegar que os jogadores estavam cansados, depois do período que passaram em Londres. Concordo e escrevi a respeito. Tratava-se mesmo de um jogo inoportuno. Com medalha de ouro ou sem ela, esse grupo deveria ter dispersado, para retomar fôlego. No entanto, foi a campo, com algumas novidades, e jogou para desemcumbir-se de uma tarefa. Nada além disso.

E assim foi a partida – com o Brasil a buscar oportunidades em ritmo cadenciado, nada empolgante. Elas surgiram no primeiro tempo – na melhor Leandro Damião fez 1 a 0 e o árbitro anulou um gol legítimo de Neymar. No final, vieram os outros dois, com Alexandre Pato, quase em cima da hora (o último, de pênalti duvidoso).

Houve pontos positivos? Sim. Neymar foi o destaque do jogo, e dessa vez movimentou-se por todos os lados do ataque. Ramirez e Paulinho deram mais estabilidade ao meio-campo, Daniel Alves foi melhor do que Rafael. E David Luiz entendeu-se melhor com Thiago Silva do que havia feito Juan durante os Jogos.

Tabelas, jogadas de efeito, dribles ousados? Esqueça. Foi um feijão com arroz para cumprir compromisso comercial. Quem comemorou foi Mano, na esperança de que amenize a pressão que carrega. E, claro, festejaram os “pachecos” de sempre.

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