Valdivia aprende a ser cínico

Antero Greco

27 de fevereiro de 2014 | 22h23

Em agosto do ano passado, Valdivia forçou terceiro cartão amarelo, em jogo contra o Paraná, e se enroscou todo. Na ocasião, não escondeu a artimanha, viu o caso parar no tribunal esportivo e tomou dois jogos de suspensão. Pagou caro por velha malandragem no futebol e, sobretudo, pela sinceridade ao reconhecer o artifício.

Agora, pelo jeito, aprendeu a ser cínico. Ao menos agiu assim, na noite desta quinta-feira, ao término do jogo em que o Palmeiras bateu o São Bernardo por 2 a 0 pelo Campeonato Paulista. Como estava pendurado e na semana que vem jogará pela seleção do Chile, forçou a mão e conseguiu o terceiro amarelo. Mas ficou na dele.

Como? Ao driblar perguntas de repórteres, que queriam saber se a suspensão vinha a calhar. “Fiz uma falta”, disfarçou. “Não pode fazer falta no jogo?” Manteve a cara de pau, apesar da insistência no tema. Só baixou a guarda ao falar a respeito de mais uma vitória do Palmeiras.

Valdivia muitas vezes arruma encrenca, por ser temperamental e atrevido. Aos poucos, porém, aprende que, no futebol (como em tudo na vida), não se pode abrir o jogo. A transparência leva a situações embaraçosas. Não é à toa que se opta com tanta frequência por comportamento hipócrita.

Uns fingem que fizeram uma coisa sem querer e outros fingem acreditar. Assim nada se altera e se mantém tudo como está. Uma pena que seja assim. O ideal seria sinceridade a todo custo. Mas não condeno o Valdivia, de maneira nenhuma. E desta vez nem o tribunal pode julgá-lo.

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