Valdivia, de saída. Será que deixa saudade?

Antero Greco

24 de junho de 2015 | 19h42

O noticiário de jornais e sites dá conta de que Valdivia está a um passo de acertar com time árabe. Algum “Al” qualquer coisa, que pertence a xeique, príncipe ou rei. Clube certamente cheio da grana, disposto a pagar caro pela extravagância de ter o chileno no elenco.

O negócio pode sair logo e o moço nem retornaria ao Palmeiras para eventual despedida. Depois da Copa América, voaria para os Emirados Árabes para a nova etapa da carreira. Dessa forma, encerraria a segunda passagem pelo Palestra Itália e seria opção a menos para Marcelo Oliveira.

Eis a questão. Valdivia pode ser considerado mesmo alternativa de peso para Marcelo? Ou melhor, Valdivia é desfalque no Palmeiras? A saída dele será sentida, pelo elenco, pela comissão técnica, pelos dirigentes, pelos torcedores? Deixará saudade, após quatro anos e meio do retorno?

Temo que as respostas sejam todas negativas. Não se questiona a qualidade do futebol de Valdivia. Talento tem de sobra, embora não seja um fora de série, um craque no sentido exato do termo. Mas sabe jogar bola, tem criatividade, dribla bem, passa com inteligência, o chute é razoável. Enfim, tudo para marcar por onde passa. Fica, no entanto, no quase.

Valdivia sempre dividiu opiniões no Palmeiras, incluída aí a primeira fase, entre 2006/88. Na falta de referências de peso, caiu nas graças de uma torcida carente de títulos e ídolos. As contusões intermináveis e incontáveis, porém, fizeram com que passasse mais tempo fora de campo do que em atividade. Esteve ausente em momentos preciosos, para o bem e para o mal. Na verdade, nunca se sabe quando estará à disposição.

Não entro no mérito de caráter, não tenho base para isso nem me interessa. Não gosto de julgar pessoas, sobretudo se as conheço pouco. Falo de aspectos profissionais – e nesses Valdivia mais deixou o Palmeiras a ver navios do que colaborou. Por tantos e tantos motivos.

Uma pena, porque poderia ocupar lugar de destaque na galeria de astros palestrinos. No entanto, não entraria na lista dos 100 maiores que vestiram a camisa verde. Nem de longe, e por culpa dele próprio. Não o comparo sequer a monstros como Ademir, Servílio, Julinho, Vavá, Djalma Santos, Marcos, Edmundo, Evair, Rivaldo, Mazinho, César Sampaio, Dudu, Leivinha, César, Luis Pereira…

Será lembrado como um jogador de talento que poderia ter oferecido mais. O carinho que recebeu da generosa e impetuosa torcida do Palmeiras é muito maior do que a retribuição.