Vale a pena desfalcar times por causa da seleção?

Antero Greco

29 de outubro de 2010 | 12h51

A lista que Mano Menezes divulgou nesta sexta-feira para o jogo com a Argentina segue o padrão daquelas elaboradas para os três jogos anteriores sob seu comando. A renovação ainda dá o tom, em relação ao grupo que esteve na Copa do Mundo da África. Na contramão dessa tendência está a presença de Ronaldinho Gaúcho – mas aí se trata de exceção e tentativa de resgatar um astro que durante algum tempo andou no desvio. Uma aposta interessante e que Ronaldinho tenha excelente retorno. O futebol agradece também o resgate de Neymar.

O que me deixa encafifado é o número de jogadores que defendem times domésticos presentes nessa relação. São oito, ou pouco mais de um terço dos 23 chamados para a viagem para o Catar. Poderiam ser mais, e não veria problema nenhum, dependendo da época do amistoso. A esta altura do ano, representam desfalques em demasia para seus clubes, empenhados em disputa acirrada no Campeonato Brasileiro e na Copa Sul-Americana. E o calendário é o maior entrave. Na Europa, se faz uma pausa. Por aqui, a bola rola solta…

A alegação é a de que se tentou desfalcar as equipes nacionais da forma menos invasiva possível. Esse argumento pode ser sensato, mas não funciona. Os elencos dos times destas bandas são muito mais pobres do que os seus similares dos grandes europeus. O Corinthians, por exemplo, terá muito a sofrer com a cessão de Elias e Jucilei. Ambos serão submetidos a esforço adicional no momento em que o time tenta arrancar para o título da Série A.

O raciocínio se aplica aos demais. O Atlético-MG está empenhado na luta para fugir do rebaixamento e sonha com a Sul-Americana. Réver é uma das referências na zaga. O Grêmio precisa de Douglas em sua tentativa de ir para a Libertadores do ano que vem. O Botafogo também conta com Jefferson em sua campanha pelo torneio continental.

A seleção é importante, para quem a considera expressão da pátria de chuteiras. Sobretudo agora que se prepara para ser anfitriã da Copa de 2014. Jogar contra a Argentina é um acontecimento especial. Mas a vida dos clubes diz mais de perto ao coração dos torcedores. Uma forma pequena e imediatista de pensar? Talvez. Porém, o amor pelo time fala mais alto.

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