Vasco 9 x América 0?! Aí já virou bagunça!

Antero Greco

12 de fevereiro de 2011 | 23h04

José Trajano e Silvio Barsetti são dois jornalistas de primeira linha, amigos queridos e americanos doentes. Acho que, neste sábado, estão doentes literalmente e não como força de expressão. Os 9 a 0 que o América levou do Vasco são surra pra não esquecer jamais, mas também para nunca se falar nela. Daqui pra frente, se alguma vez alguém tocar nesse assunto, o torcedor do América precisa levantar-se na hora, fingir que está com pressa (“Minha mãe tá me chamando”) e sair de fininho.

O que o Vasco fez não é justo com um rival simpático, tradicional, que não incomoda ninguém e que vinha naquela toadinha de sempre. O América pagou o pato pelo fiasco vascaíno no primeiro turno do Estadual do Rio de Janeiro. Vá lá que, até esta sétima rodada, havia perdido quatro jogos, contra um empate e uma vitória. A defesa não era mesmo grande coisa (13 gols sofridos) e o ataque compensara com 6 gols. Mas levar nove de uma vez é dose pra mamute, como se dizia na Casa Verde.

Muitos dos torcedores que foram ao Raulino Oliveira talvez estivessem desconfiados do Vasco, mesmo com a reação esboçada desde a chegada de Ricardo Gomes (um empate e uma vitória). Mas logo aos 4 minutos relaxaram, com o gol de Fagner. Aos 18, tiveram esperança de bom resultado, com o gol de Felipe. Aos 23, começaram a vislumbrar goleada, com a bola que Ramon mandou pras redes. Aos 25, pularam de alegria, porque Marcel fez 4 a 0. Aos 37, já partiram pra galhofa, com o gol de Enrico.

Na minha época de garoto, se dizia vira 5 acaba 10. Foi quase isso. Aos 5 minutos do segundo tempo, Caíque fez 6 a 0. Uma pausa para tomar água e aos 18 Ramon ampliou para 7. Aí já era esculhambação, parecia treino. Toca pra cá, toca pra lá, e Jefferson faz o oitavo aos 24 minutos. O Vasco decidiu tirar o pé, os jogadores do América torciam pro relógio correr, mas no finalzinho eis que uma bola sobra pra Enrico e ele faz 9 a 0!

Assim que acabou o jogo, pensei em ligar pro Trajano e pro Sílvio e hipotecar-lhes minha solidariedade, como diria Odorico Paraguaçu, o imortal prefeito de Sucupira. Pensei bem e deixei pra lá. Vai que eles pensassem que era gozação e me xingassem.

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