Vasco, Flamengo e a peregrinação

Antero Greco

27 de junho de 2015 | 15h15

Vasco e Flamengo têm uma das maiores rivalidades do futebol nacional. Por isso, os jogos entre ambos sempre foram atraentes. No momento, vivem a situação estranha de frequentarem a zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Natural, portanto, que o clássico do domingo chame a atenção. Panorama ideal para Maracanã cheio, certo?

Errado.

Mais uma vez, o duelo será fora de casa, longe dos torcedores cariocas. O local escolhido, agora, é a Arena Pantanal, em Cuiabá, às 17h30 locais (18h30, de Brasília). O jogo foi “vendido” para empresários em troca de uma quantia fixa, coisa de 750 mil para o Vasco e 250 mil para o Fla. A renda fica para quem está bancando a empreitada. Os ingressos são bem salgados.

Há quem defenda a peregrinação como comportamento profissional. Seria, se também fossem outras as circunstâncias. Times populares como Vasco e Flamengo são chamarizes em praticamente todo o país. Bacana se aproveitassem o prestígio para expandir a marca e arrecadar mais.

Mas não da forma como fazem – e não só ambos, outros também caíram nessa tentação. Deveriam apresentar-se em amistosos, em jogos festivos, em datas especiais. Agora, não, e há fatores a considerar.

Antes de tudo, há o deslocamento. Por mais que não seja viagem longa, há a saída para aeroportos, de lá para hotel, depois estádio. E vice-versa. Há a mudança de temperatura, a diferença no gramado.

A saída de casa também conta. Não discuto o calor do público, está fora de cogitação. Mas uma coisa é jogar na cidade de origem, outra é apresentar-se fora. Influi, modifica, em alguns casos anula o fator campo. É preciso estar psicologicamente confortável.

Numa hora como essa que os dois atravessam, o clássico deveria ser disputado no Maracanã. Como, aliás, os dois técnicos ressaltaram. Celso Roth e Cristóvão Borges sabem a diferença; porém, se conformam porque são funcionários, assim como os jogadores.

Triste realidade.