Vasco sobe a colina. E o Palmeiras desce a ladeira

Antero Greco

14 de agosto de 2011 | 20h29

Já faz algum tempo que chamo a atenção, aqui, para o Vasco. Como quem não quer nada, a turma da Cruz de Malta chega, pelas beiradas, sem alarde, depois de largar sem convicção. A ressaca pela conquista da Copa do Brasil durou mais do que o desejável e atrapalhou o caminho. Agora, Ricardo Gomes e sua rapaziada encontraram o rumo, o Vasco tem 30 pontos – três deles obtidos com o 1 a 0 de hoje sobre o Palmeiras – se mantém em quarto lugar e pode ostentar a pretensão de brigar pelo título do Brasileiro.

Foi uma exibição e tanto do Vasco? Não, e torcedor, treinador e jogadores sabem disso. O time vibrou pouco, esteve aquém da vitória do meio de semana sobre o mesmo Palmeiras (2 a 0, pela Sul-Americana), também em São Januário. Demonstrou até certo cansaço e não sairia de campo frustrado com eventual empate. Chata mesmo foi a surra de domingo passado para o Botafogo (4 a 0).

Mesmo assim, teve o mérito de não se incomodar com a pressão palmeirense nem perder a cabeça. Foi na sua toada mais lenta, na cadência de Juninho Pernambucano e Felipe. De certa forma, manteve o controle do jogo – um clássico mais duro do que o anterior e que terminou com 10 cartões amarelos (cinco para cada lado).

O Palmeiras foi mais rápido e agressivo do que na quinta-feira. Teve atenção maior na defesa e avançou. Tanto que no primeiro tempo criou pelo menos três chances claras de gol, desperdiçadas por Valdivia, Kleber e Dinei. No segundo tempo, cansou, Felipão fez algumas mudanças (Patrick no lugar de Dinei, Maikon Leite em substituição a Luan) que não deram resultado.

Feliz mesmo foi a opção de Ricardo Gomes colocar Bernardo na vaga de Éder Luís, que andou desaparecido. O rapaz cobrou falta à la Juninho Pernambucano, aos 35 minutos da etapa final, e fez o gol da vitória. Ao Palmeiras restou o consolo de ter jogado melhor. Consolo pequeno, é verdade, porque marca passo, tem 27 pontos e vê a ponta a distância. Não consegue deslanchar; ao contrário, patina acima da média.

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