Vender o almoço e comprar o jantar

Antero Greco

12 de junho de 2015 | 18h44

O São Paulo vive situação semelhante à de tantos clubes brasileiros: fica ansioso, aflito, para negociar algum jogador para o exterior e assim aliviar o caixa. Clássico caso de vender o almoço para comprar o jantar. O caso mais recente veio com a confirmação da transferência de Rodrigo Caio para o Valencia, transação que deve render em torno de R$ 43 milhões.

Com esse dinheiro recebido pela saída de um jovem de 21 anos, o tricolor espera colocar em dia atrasados com o elenco e respirar aliviado. É um quebra-galho, numa ciranda que não tem fim por aqui nem nos países vizinhos. A América do Sul continua a ser o principal centro de fornecimento de bons profissionais. Os europeus investem e, em diversos casos, obtêm depois lucros enormes.

A venda em si não foi ruim, ao menos em curtíssimo prazo. Rodrigo Caio é bom jogador, até hoje não se mostrou extraordinário. Pode ser que lá na frente, com o famoso “aprendizado na Europa”, tenha destaque. E os gringos são mestres em botar fermento em profissionais da bola.

Há ainda o temor de tomar prejuízo imediato, se segurasse o moço. O São Paulo já perdeu jogadores anteriormente por valores baixos e os viu serem valorizados em seguida para desencanto dos cartolas. Além das dificuldades financeiras, o clube ressente-se da pressão de quem compartilha os direitos dos atletas.

Mesmo que sejam “sócios” minoritários, ficam com coceira na mão para receber dinheiro vivo. Por isso, forçam a barra para que seus “representados” se mandem. E a roda dos negócios se mantém em funcionamento, com muita gente a tirar seu quinhão.

Nessas horas sempre me vem a dúvida: pra que intermediários, se uma negociação poderia ser realizada com troca de telefonemas e encontros entre os dirigentes de um lado e de outro? Vai saber…