Vila consagra Ricardo Oliveira, o goleador

Antero Greco

08 de maio de 2016 | 18h55

Um dia, talvez no ano 2.116, quando um pesquisador for estudar o Campeonato Paulista de futebol, verá que as decisões ocorridas na Vila Belmiro eram especiais. Jogos que consagraram nomes como Araken Patusca, Pagão, Coutinho, um certo Pelé, Pepe, Juari, Serginho, Robinho, Neymar e agora Ricardo Oliveira.

Foi dele o gol do título de 2016. O Santos conquistou seu 22.º título estadual. Então jogou melhor do que o Audax Osasco?

Não. O vice esteve melhor, teve o dobro das chances para levar a taça, acertou duas vezes a trave do gol de Vanderlei, ficou com a posse de bola praticamente o jogo todo. E o técnico Fernando Diniz foi mais corajoso, mais ousado do que o excelente Dorival Júnior.

Por que o Santos ganhou, então, por 1 a 0? Porque tem no grupo três jogadores de seleção. E ainda um goleiro excepcional. E teve neste domingo a sorte dos campeões. Porque sem ela teria perdido a partida.

Esta é a verdade!

Dos três craques santistas, logo aos 20 minutos, Lucas Lima deixou o campo sentindo a contusão no tornozelo direito. Gabriel, forte e bom de bola, é também um cabeça-quente. Por enquanto, acha que joga mais do que joga. E quase foi expulso, numa admoestação incomum do árbitro Raphael Claus que o advertiu cabeça a cabeça.

Então sobrou o definidor: o escolhido.

E ele definiu, na única chance de verdade que o Santos teve no primeiro tempo. Vitor Bueno interrompeu o ataque do Audax e iniciou um contra-ataque que acabou com um lançamento para o centroavante de 36 anos: Ricardo Oliveira passou a bola no meio das pernas do zagueiro inimigo e fuzilou na saída do goleiro Sidão.

Foi o que bastou.

No segundo tempo, o Audax alugou o meio-de-campo como diziam os antigos. Ricardo Oliveira foi substituído, extenuado. O time de Osasco ficou com a posse da bola, mas não furou a defesa santista.

Já no finalzinho, o juiz anulou erroneamente um gol de Joel e Ronaldo Mendes perdeu o gol mais feito da partida.

Seria 2 a 0 para o Santos. Ou 3 a 0. Mas seria injusto.

Quando tudo acabou e Ricardo comemorava o título com lágrimas nos olhos, a revelação: ele era dúvida até o início da partida. Não revelou o problema que sentia. Apenas jogou no sacrifício, fez o gol e foi campeão mais uma vez.

Daqui a cem anos quem pesquisar saberá disso.

E saberá também que a Vila Belmiro tem o feitiço alvinegro.

(Com participação de Roberto Salim.)

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