Viva! O Barcelona é feito de gente

Antero Greco

14 de agosto de 2015 | 20h20

Na tarde desta sexta-feira, tive uma imensa alegria: vi o Barcelona cair de quatro. Foi uma surra e tanto a que levou do Athletic, em Bilbao, na primeira parte da decisão da Supercopa da Espanha. Levou um baile, sofreu gol de tudo que foi distância, saiu de campo desnorteado. Tem a segunda chance na segunda-feira,em casa.

Calma lá, não sou contra o Barça; antes, admiro demais o estilo de jogo de Messi, Neymar e companheiros. Na última década, foi o time que mais proporcionou prazer para quem gosta de futebol, independentemente de nacionalidade e de preferências clubísticas.

Fiquei feliz porque o Barcelona mostrou ser feito por gente. E o que isso significa? Que pode errar, que uma vez pode jogar tão mal a ponto de ser espezinhado pelo adversário. Sovas como essa desmistificam elencos, ao mesmo tempo em que os tornam mais humanos. É até alívio para todos, pois chega um momento em que, por causa de tantas taças e exibições impecáveis, fica a impressão de que são semideuses.

O Barcelona jogou mal, Luis Enrique montou o time de forma torta, com várias mudanças em relação àquele que, no começo da semana, bateu o Sevilha por 5 a 4. em Tiblisi e ganhou a Supercopa Europeia. Talvez justamente para dar folga e promover rodízio, quebrou a cara. E como!

Os oito gols que levou em poucos dias preocupam, é claro. Mas preocupa mais o fato de não ter feito nenhum nesta sexta-feira. Para amenizar, há o fato de ser início de temporada – todos, incluído o Barcelona, ainda buscam aprimoramento físico e técnico. Foi uma derrapada e tanto, e só.

O que se deve considerar são os benefícios dos giros internacionais que os grandes times fazem, assim que retornam das férias. Como há estratégia de marketing, eles rodam o mundo, em exibições para torcedores, na busca de ampliação de mercados. Isso pode refletir-se na preparação, como se viu com o Real Madrid anos atrás.

Algo para ser reavaliado, mas que se mostra tendência irreversível. Como são multinacionais da bola, precisam andar pra todo canto para faturar. Tem hora que pagam preço pela grana que embolsam. 

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