Vou falar o que do Messi? Gênio é pouco

Antero Greco

27 de abril de 2011 | 18h51

Eu, você que me lê agora, torcedores do Barcelona e do Real Madrid que estavam no Santiago Bernabeu e todo mundo que assistiu de alguma forma ao clássico desta quarta-feira, somos privilegiados. Podemos afirmar que somos contemporâneos de um dos gênios da bola. Não se pode dizer menos de Lionel Messi, um desses fenômenos que de vez em quando surgem para provar que a Humanidade tem futuro, apesar de tudo.

Messi é incomum, como Pelé, como Maradona, como Garrincha. Messi é esplêndido como Picasso, como Miró. Um Michelangelo do esporte. Tem a criatividade de um Da Vinci, a ousadia de Mozart, a imponência de Beethoven. Os gols de Messi são poemas de Dante, epopéias de Homero; são épicos de Cervantes. Dostoievski veria em Messi seu grande personagem. Messi diverte como Chaplin, é um Gardel dos gramados. Messi é um solo de Piazzolla que nos encanta, nos emociona.

Messi é exagero, um abuso, uma hipérbole. “É um virtuose juramentado, um despautério futebolístico, uma hecatombe devastadora de botinudos”, como diria Odorico Paraguaçu, personagem imortal de Dias Gomes. O que tinha tudo para ser mais um jogo amarrado, tenso, chato e insosso, apesar de bate-bocas e expulsões, virou um capítulo de antologia por causa de Messi e seus dois gols contra o Real.

Gols que valem mais do que a provável classificação para a final da Copa dos Campeões – a competição, no caso, é detalhe supérfluo. Os gols de Messi, na noite desta quarta-feira, em Madri, são obras-primas, são clássicos. São a reafirmação de que o Universo tem um Criador.

Caramba, e tinha de ser justo hoje, com tanto jogo ainda pra ver?!

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