Valentim limpa o caminho para Cuca

Antero Greco

13 de março de 2016 | 13h50

Alberto Valentim fez o trabalho do interino perfeito: pegou o Palmeiras assustado após a demissão de Marcelo Oliveira, deu-lhe uma ajeitada, ganhou o clássico com o São Paulo por 2 a 0 e o entrega reanimado para Cuca. Volta para o canto dele com o gosto de missão cumprida. O titular que se vire para o duelo decisivo com o Nacional, na quarta-feira, pela Libertadores.

A tarefa de Valentim na manhã deste domingo no Pacaembu não foi simples. Em princípio, manteve a estrutura montada pelo treinador que saiu, com ligeiras mudanças, como o retorno na zaga do recuperado Edu Dracena, com Alecsandro no lugar de Gabriel Jesus e com Arouca na vaga de Jean. Tratou de tornar o time mais compacto.

Até a metade do primeiro tempo, o Palmeiras passou sufoco diante de um São Paulo com grande parte da força. O técnico Edgardo Bauza deixou Ganso, Calleri e Centurión no banco, porém o restante da equipe foi aquela que tem utilizado com frequência. O trio entrou durante o clássico.

O São Paulo empurrou o Palmeiras para o próprio campo, criou oportunidades para marcar. Até mandou a bola para o gol, numa cobrança de falta completada por João Schmidt. O árbitro Raphael Claus anulou, ao alegar impedimento. Lance discutível – e, já que se trata de discutível, digo que para mim não foi. (Depois, houve lance anulado de Dudu. Num primeiro momento, considerei jogada normal. Mas a arbitragem acertou nessa.)

O Palmeiras reequilibrou nos minutos finais e foi para o intervalo mais organizado. Percebeu que o São Paulo tinha brechas. Voltou melhor, encarou o adversário como se deve, assustou Dênis e enfim ficou em vantagem com Dudu, aos 29 minutos. Dali em diante não perdeu mais o controle da situação – e ainda fechou a exibição matinal com belíssimo gol de Robinho, aos 41 minutos.

O São Paulo teve defeitos de sempre, sobretudo na incapacidade de manter o ritmo e de proteger-se. O trio Ganso, Calleri, Centurión não alterou em nada o panorama, quando foi chamado a intervir. O Palmeiras também expôs a crônica deficiência no sistema defensivo. De bom, a maneira mais compacta no segundo tempo – elogiada pelos jogadores, numa sutil cutucada em Marcelo.

As duas equipes enfrentam obstáculos duros na Libertadores nos próximos dias. Tropeços podem selar o destino de ambas – na forma de passagem curta pela competição.

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