Brasil e Portugal ficam no zero a zero. Mas meu estômago ganhou no finalzinho

Estadão

25 de junho de 2010 | 19h35

Nada como acordar cedo, abrir a janela e ver o sol nascer no horizonte, brotando como uma imensa bola de fogo das profundezas do Oceano Índico.

(Parênteses: Como é que se diz ‘que frase brega’ em zulu? Quero aproveitar para fazer uma homenagem ao Roberto Pontes, Tour Manager do Estadão, que me colocou em um quarto de frente para o mar. Ngiyabonga, Robertinho.)

Mais um dia lindo, céu azul sem nuvens e ainda mais quente que ontem. Daqui a pouco, Brasil e Portugal no belíssimo estádio Moses Mabhida. É o estádio mais bonito da Copa, um imenso calabash branco com seu arco que se projeta acima do campo como uma alça de mala. Se um gigante pudesse levantá-lo, eu pediria que, ao final da Copa, ele levasse o Moses Mabhida para São Paulo. E assim chegaria ao fim a ridícula novela do estádio paulista.

Começa o jogo! Brasil ataca um pouco; Portugal se defende. Portugal ataca um pouco, Brasil se defende. Nossa, que joguinho de comadre, não? Poucas chances de gol, muitas faltas.., enfim, o estádio é lindo e a torcida está fazendo a ola. Se a torcida está fazendo a ola, é porque o jogo está chato.

Dito e feito: Zero a zero. Na verdade, um resultado bom para todo mundo, já que classifica as duas equipes. Tudo bem, aposto que Portugal não ia gostar de jogar as oitavas de final contra a Espanha na Cidade do Cabo. Mas até que enfrentar o Chile em Joburgo não é tão ruim para o Brasil. Na verdade, é até bom.

Apesar de o Brasil não vencer, é bom comemorar a classificação em primeiro lugar do grupo. Isso significa que posso encontrar alguns amigos na Florida Street, a rua mais agitada de Durban. É tão agitada que o trânsito interrompeu a rua: centenas de pessoas festejando na rua e cantando Waka Waka, da Shakira, e Waving Flag, do K’naan, as músicas mais populares dessa Copa do Mundo. Aqui dá para perceber bem por que Durban é uma das cidades mais interessantes da África do Sul, além de ser a terceira maior em número de habitantes. Ao lado da casa noturna Cabaña, que toca salsa, está um restaurante grego. Do lado dele, uma casa italiana de massas. E, do lado dela, uma igreja protestante. ‘Nação do Arco-Íris’ é um nome perfeito para este país.

Encontro meus amigos no Simple Fish, um restaurante especializado em (vamos ver se você adivinha?)… peixes. Já está tarde, o restaurante está quase fechando. Mas a dona é uma australiana simpática e me traz um último peixe, meio a contragosto. Espero que o cozinheiro não tenha cuspido no prato.

E é assim, com um peixe nos quarenta e cinco minutos do segundo tempo, que eu me despeço da noite de Durban. O Brasil ficou no zero a zero, mas meu estômago saiu com uma vitória no finalzinho do jogo.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.