Mil e uma noites em Durban (Na verdade, só duas)

Estadão

25 de junho de 2010 | 10h45


Durban: Uma cidade com clima de África, Europa, Ásia… e Santos

Não dá nem tempo de desfazer a mala: no dia seguinte já é hora de pegar mais um avião, desta vez para Durban. Motivo? Não, não vou surfar nas praias mais famosas da África do Sul. Em primeiro lugar, porque eu não sei. Em segundo, porque… bem, a primeira razão já é mais do que suficiente. E tem outra coisa: amanhã é dia de jogo do Brasil, o último da primeira fase. E justo contra quem? Ora, pois, contra Portugal, turma de Cristiano Ronaldo e Cia.

Durban fica a apenas uma hora de voo de Joburgo, e é uma cidade completamente diferente. Se ainda restava alguma dúvida de que o apelido Rainbow Nation cai como luva para a África do Sul (não, não restava), ela se dissipa no momento em que pisamos no recém-inaugurado aeroporto King Shaka. Há muitos negros da etnia Zulu, maioria absoluta da população por aqui. Mas o resto da população se divide em muçulmanos e hindus, o que leva a uma arquitetura misturada, com influências africana, indiana, árabe, até Art-Decô. Há muitas barraquinhas de comida indiana espalhadas pelas ruas; em uma delas, o pó com o qual se faz o molho Curry tem diversos sabores: ‘Bin Laden Special’, ‘Pimenta Assassina de Sogra’, e outros do mesmo nível. Se esse é o típico humor de Durban, eu provavelmente não irei a um show de Stand up Comedy.

Durban também é diferente porque é uma cidade de praia, mais até que Cape Town. Há surfistas e gente tomando sol; é o dia mais quente desde que chegamos à África. Durban lembra um pouco a cidade de Santos, mas com prédios mais baixos e mais antigos na orla marítima. Há gente correndo no calçadão, mas é uma corrida difícil porque é cheia de obstáculos, no estilo ‘800 metros com barreiras’ – as barreiras são as barraquinhas que vendem bugigangas africanas. Se eu puder dar um conselho para um futuro turista que venha a Durban, diria que não pergunte o preço de nada se não tiver certeza de que quer o tal objeto.

Antes de você perguntar ‘quanto custa?’, alugue mais um quarto de hotel. Essa frase adiciona automaticamente um camelô africano à sua família, já que ele não largará você pelo resto da viagem.

Quer uma girafinha de madeira? Quer uma máscara Zulu com lanças e escudos? Quer um camisolão colorido? Quer uma fruteira pintada como uma zebra? Quer uma pulseirinha de rabo de elefante? Se você respondeu ‘sim’ a algumas dessas perguntas, então você merece adotar um camelô africano.

Um jantarzinho leve e algumas Castle antes de dormir é tudo o que eu quero. A cerveja Castle é fácil, basta dizer ngifuna umqombothi, ngicela.

Peraí, é brincadeira. A frase ‘eu quero cerveja, por favor’, é praticamente impronunciável. Em primeiro lugar, porque ‘cerveja’, umqombothi, tem aquele estalo de língua no meio da palavra, e daí o esforço para que ele saia razoável é tão grande que a gente esquece o resto da palavra. Em segundo, porque a frase ‘I want beer, please’ é tão fácil que prefiro gastar minha energia tomando a cerveja, não pedindo.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.