Os policiais de Mbombela são muito simpáticos

Estadão

05 de julho de 2010 | 14h35

Repare nos detalhes das estruturas de girafinhas e das arquibancadas zebradas do Mbombela Stadium. Se fosse no Brasil, desconfiariam do gosto do arquiteto

Repare nos detalhes das estruturas de girafinhas e das arquibancadas zebradas do Mbombela Stadium. Se fosse no Brasil, desconfiariam do gosto do arquiteto

Mbombela é uma cidade com dois nomes (o outro é Nelspruit, super parecido não?) e pouco mais de 200 mil habitantes. Mesmo assim, foi escolhida como uma das sedes da Copa e, por consequência, ganhou um estádio novinho. O estádio tem capacidade para 43.589 pessoas, ou seja, mais ou menos ¼ da cidade.

O que vai acontecer com o estádio depois de 11 de julho? Sei lá, talvez convidem a população inteira para um safári no gramado, organizem um jogo de onze leões contra onze zebras ou tenham alguma outra ideia genial.

Mbombela é a sede da Copa mais próxima do Kruger Park, por isso o estádio tem influência arquitetônica de girafas e zebras. As girafas eu consegui ver do lado de fora, já que as colunas de sustentação parecem longos pescocinhos. Para ver o toque ‘zebral’ eu teria que ter entrado no estádio: as arquibancadas são todas zebradinhas. Seria muito brega se aqui não fosse a África, claro.

Mbombela significa muitas pessoas em um lugar pequeno, e fica aqui a sugestão para que a usemos para designar a hora do rush no transporte coletivo de São Paulo. ‘Você vai pegar o ônibus Tucuruvi-Interlagos das seis da tarde? Ouvi dizer que essa rota está super mbombela’ e por aí vai. Dizem que Mbombela também significa ‘lata de sardinhas’, mas não consegui confirmar essa informação. De qualquer maneira, é uma cidade simpática e me acolheu durante uma bela noite de sono. Pelo menos no meu quarto não havia muitas pessoas em um lugar pequeno.

Três cafés da manhã depois (eu, Lourival e Evelson), partimos de volta para casa, Joburgo. A estrada era boa, muito boa. Tão boa que o guarda parou o nosso carro por excesso de velocidade. Lourival, que estava no volante, desceu e bateu um papo com os policiais. Havia um cara e três mulheres; as mulheres explicaram que, como somos estrangeiros, teríamos que ir até a delegacia para pagar a multa. O policial, porém, viu nossas camisas do Brasil e logo puxou um papo sobre futebol. Lourival contou que estávamos chateados e com pressa para chegar ao aeroporto, pegar o primeiro voo e chorar a derrota no Brasil. Sul-africano e torcedor do Bafana Bafana, ele se solidarizou. E nos deixou ir embora.

Pena que a bateria arriou e o carro não pegou.

Lá fomos nós, de novo, conversar com a turma de policiais simpáticos. Explicamos o problema e o policial nos ajudou fazendo uma chupeta na bateria. Converso um pouco com eles em zulu (oi, como vai, bafana bafana, obrigado, tchau) e os caras se mataram de rir. Das duas uma: ou ficaram impressionados com meu esforço para falar a língua deles, ou meu sotaque naquela região parecia ter soado como se eu tivesse dito guarda-chuva, bicicleta, toalha, papagaio e criado-mudo. De qualquer maneira, o carro pegou e voltamos à estrada. Obrigado, policiais. Papagaio, ou sei lá como é a pronúncia de ‘obrigado’ nessa região.

Chegamos a Joburgo em tempo para assistir ao jogo da Argentina e Alemanha. Sou alemão desde criancinha, claro, ainda mais depois da tragédia do Brasil contra a Holanda. Rezei para os deuses do futebol, e parece que eles me ouviram. A Alemanha goleou a Argentina por 4 a 0, levando Messi e Maradona a pegar o próximo voo para Buenos Aires. Depois da derrota do Brasil e um dia difícil na estrada, estou voltando a gostar dessa Copa.

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