19 anos de amor e ódio
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19 anos de amor e ódio

miltonpazzi

01 de junho de 2011 | 20h01

Shaquille O’Neal não sabe, mas eu e ele temos uma longa história, terminada nesta quarta-feira com o anúncio de sua aposentadoria do basquete após 19 temporadas na NBA.

Assim como Shaq, eu pisei pela primeira vez na cidade de Orlando em 1992. Enquanto ainda me adaptava ao modo de vida americano, o pivô oriundo da Universidade de Louisiana colocava um boné de Mickey Mouse com a camisa do Magic logo após ser escolhido em primeiro lugar no Draft daquele ano.

Era cativante. Sua irreverência era um convite irresistível para deixar de lado o Chicago Bulls de Michael Jordan e torcer pelo então fraco Orlando Magic. E assim foi. Virei fã da equipe da Flórida para nunca mais olhar para trás.

Em seu primeiro ano, Shaq quebrou tabelas, enterrou na cara dos principais jogadores da liga, levou toco do Jordan e, com isso, atraiu a atenção de todos para a cidade. Ele era um exemplo a ser seguido. Eu, adolescente na época, cumpria religiosamente o meu horário das 17 às 19 horas na quadra do condomínio, tentando imitar o que se podia do astro de 2,16 m.

Nossa “lua-de-mel” continuou, inclusive após a dolorosa derrota nas finais da NBA na temporada 94/95, quando o Magic perdeu para o Houston Rockets por 4 jogos a 0. Mas tudo acabou em 96, quando O’Neal tratou de pensar na carreira nos cinemas, optando pelo Los Angeles Lakers.

Foi difícil entender que algo tão único pra mim poderia terminar assim, através de uma coletiva de imprensa, sem um obrigado ou até logo. Quem me definia como amante de basquete havia me traído. Deveria ser um pesadelo. Pesadelo este que continuou para o Orlando Magic por quase 10 anos, até a chegada de Dwight Howard.

Mesmo sentindo ódio por aquela figura com a camisa 34 dos Lakers, eu o admirava. Sempre de olho em suas jogadas, enterradas e, por que não, seus erros nos lances livres, memoráveis por sinal.

Para piorar ainda mais a situação, Shaq tratou de dar um título da NBA ao grande rival do Magic, o Heat, em 2006, depois de ter conquistado o tricampeonato com os Lakers em 2000, 01 e 02.

Sem descanso, foi contratado em 2009, pelo Cleveland Cavaliers, e em 2010, pelo Boston Celtics, justamente para tentar frear o ímpeto da equipe que o colocou na NBA. Era marcação demais para o meu gosto.

E hoje, 1.º de junho, Shaq tratou de encerrar esse ciclo comigo e com milhões de fãs. Como sempre, optou por uma maneira diferente de dar a notícia – vídeo via Twitter – e, com certeza, deixará um vazio. Afinal, para quem eu vou torcer contra, agora?

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