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A hora dos cartolas

Luiz Zanin Oricchio

02 de janeiro de 2007 | 15h20

Não sei se você tem acompanhado as contratações do seu clube, mas é o que há para fazer nesta época de entressafra de futebol. Por falta do que fazer, eu também fico sondando o entra-e-sai de jogadores e técnicos. Nessa fase em que não há futebol dentro de campo (a não ser esses chatíssimos jogos de confraternização, para marketing social dos boleiros), os cartolas dominam a cena, mais do que de hábito. Afinal, é deles que partem os movimentos para contratações, e que definem, em fim de contas, se o time pelo qual torcemos irá ser competitivo ao longo do ano, se irá apenas participar sem qualquer aspiração a título, ou se irá brigar lá embaixo, na zona perigosa do rebaixamento.

Não quero ser chato, e nem muito exigente neste início do ano, mas pouco do que tem sido feito me satisfaz. Claro, previsões em futebol são a maneira mais fácil do crítico quebrar a cara, mas, à primeira vista nada parece indicar que haja uma mudança de hegemonia no futebol brasileiro para 2007. São Paulo e Internacional, que já foram os dois melhores de 2006, devem continuar muito competitivos, apesar de algumas trocas – o São Paulo perde Danilo, Fabão e pode ainda esta semana ficar sem Mineiro.

Os outros, Palmeiras e Corinthians, que tiveram um ano péssimo, não parecem estar fazendo grandes movimentos para mudar de cara em 2007. A maior novidade do Palmeiras, e que deve fato pode fazer alguma diferença, é a chegada do técnico Caio Jr., uma revelação do ano passado com o Paraná. Não querendo escrever um clichê, mas já escrevendo, como diria o Jô Soares, uma coisa é dirigir o Paraná, outra é gerenciar a panela de pressão do Parque Antártica. Enfim, boa sorte a ele, porque competência já mostrou. O Corinthians, que já contratou alguns reforços, promete mais para este mês. Veremos, porque o imbróglio com a MSI continua mal resolvido e a novela Nilmar se arrasta.

O Santos parece disposto a entrar em 2007 com um elenco mais fraco que o de 2006. Perdeu jogadores e não os repôs à altura. Contratou um aposentado, Antonio Carlos, que deseja fazer estágio com Vanderlei Luxemburgo, porque quer ser técnico no futuro. Isso se Luxemburgo ficar, já que o rumor em torno de sua saída é muito grande. E ele não cumpre contrato, como se sabe. Desse modo, parece pífia a argumentação do treinador de que estava formando um time. Como formando, se esse time sofre perdas, tem de ser refeito mais uma vez e nem o comandante vai ficar? Conversa fiada.

Ao contrário do que se pensava, são os times cariocas que estão contratando mais. Já se fala inclusive que o Fluminense estaria inflacionando o mercado com sua propostas de salário acima da média. Quer dizer que num ano esses clubes estão falidos e, no outro, ressurgem com mais dinheiro que os concorrentes? Quem entende o futebol brasileiro e seus estranhos fluxos de capital?

De qualquer forma, nessa fase preparatória, os destinos dos torcedores estão mais na mão dos cartolas do que nos pés dos jogadores. Não é uma fase muito feliz do ponto de vista futebolístico.

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