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A lição do pênalti perdido

Luiz Zanin Oricchio

29 de julho de 2010 | 15h52

Não sei quem – talvez Nelson Rodrigues, talvez João Saldanha – dizia que o pênalti era tão importante que devia ser batido pelo presidente do clube. A frase é meio genial e meio grotesca. Põe em destaque a importância do lance crucial. Mas é meio engraçado pensar num daqueles cartolas gordos e fora de forma entrando em campo para executar a cobrança.

Digo isso, claro, a propósito do pênalti batido por Neymar. Cavadinha, quando dá certo, é uma maravilha. Deixa o goleiro com cara de bobo, vendo, impotente, a bola entrar e sem poder fazer nada para impedir. Quando não dá certo…a humilhação toda reverte sobre o cobrador. Foi o que aconteceu com o garoto Neymar que teve, ainda, de ouvir a vaia de parte da torcida santista.

Para a cobrança de cavadinha dar certo, é preciso que seja imprevista. Como foi aquela de Zidane, na final da Copa de 2006, ou do Loco Abreu, na semifinal da Copa da África. O próprio Neymar já se deu bem com a cobrança, anteriormente. Acontece que o goleiro Lee, novinho também, sacou qual era a do atacante do Santos. Entrevistado, na saída do jogo, ele disse que já esperava alguma “gracinha” do santista e por isso ficou parado debaixo do gol, esperando a definição do chute. Teve mérito e sangue frio nessa decisão. E salvou seu time de uma derrota pior ainda que os 2 a 0.

Neymar, querendo ser malandro, foi ingênuo. Caiu na do goleiro. Não é o primeiro caso em que o excesso de malandragem come o malandro. Por paradoxo, o máximo da malandragem teria sido fazer uma cobrança simples, no canto, quando o goleiro esperava que ele fizesse a tal “gracinha”. Parado no meio do gol, sem escolher um canto, Lee nada poderia fazer.

São as sutilezas dessa situação do futebol, quando apenas dois adversários se enfrentam, e todo o segredo está em tentar adivinhar o que o outro está pensando em fazer.

Neymar é apenas um garoto e tem amplo crédito. Precisa conhecer mais da malícia do jogo. Se tiver um pouco de humildade, terá aprendido uma grande lição.

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