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A língua dos sinais

Luiz Zanin Oricchio

06 de junho de 2006 | 22h27

Era inevitável, eu sabia, e ontem aconteceu. Bem perto do horário do treino da seleção alemã, parei o primeiro táxi que vi pelo caminho, no centro de Berlim. “Hello”, disse eu, antes ainda de me sentar. Sentei, arrumei minha mochila, virei para o lado do taxista e nada de resposta. Já com o carro em movimento, informei-o, em inglês, que precisava ir ao Mommsenstadion Berlin, local do treinamento. Ficou me encarando como se eu o tivesse esfaqueado, com direito a boca aberta e tudo. Repeti o pedido e ele seguiu estático. E só então caiu a ficha: estava sendo guiado por um sujeito que só falava alemão, idioma do qual – contei hoje -sei apenas dezesseis palavras.
Um minuto depois de eu repetir onde “sonhava” chegar, o taxista, sujeito que usava um óculos pequeno demais, devia ser do seu filho, na ponta do nariz, virou-se para mim e perguntou: TracschenetagnalsshwlsintágenqcjqietnowwsasstesvemsmstagBerlin!!!!? Aí usei a linguagem universal. Abri os braços com as mãos espalmadas para cima, fiz uma semi-careta e inclinei ligeiramente a cabeça para a esquerda: NÃO SEI, foi o que eu quis dizer. Por um momento, pensei que ia apanhar do taxista.
Ele gritou várias coisas ao mesmo tempo, todas com exclamações. Peguei então o Media Guide da Fifa, mostrei o nome do estádio e achei que estava tudo resolvido, mas ele insistia em continuar falando. Respondi cerca de 10 vezes sim (cabeça para o alto e para baixo) e 6 vezes não (cabeça para um lado e para o outro).
Queria me livrar logo daquilo, cheguei ao local, mas precisava de um recibo. Depois de tentar em diversas línguas que ele entendesse o que eu queria, peguei meu bloquinho, apontei o valor marcado no taxímetro e o escrevi no papel… e o taxista mais uma vez pareceu ter sido esfaqueado por mim.

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