As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

As lições das meninas 2

valeriazukeran

01 de outubro de 2007 | 20h03

Falei bastante aqui no blog sobre a lição que as meninas da seleção brasileira aplicaram nos Estados Unidos nas semifinais da Copa do Mundo. Na final, ontem, no entanto, foi a vez da Alemanha nos dar algumas lições. Não que seja minha intenção malhar o time brasileiro, que na minha opinião não fez uma final ruim. Porém também temos de enxergar as virtudes da seleção campeã como forma de aprendizado.
A primeira e óbvia lição dada pela Alemanha é a de como montar uma defesa. O time chegou ao bicampeonato sem levar um golzinho sequer e isso é feito digno de respeito. Cada vez que Marta tocava na bola, lá vinham três marcadoras para segurar a brasileira e nem por isso o restante da defesa ficou desguarnecido. É uma daquelas coisas para os estrategistas da bola analisarem. Não é da cultura brasileira valorizar a eficiência de uma defesa, mas sem dúvida acho que esse um dos grandes diferenciais da equipe comandada por Silvia Neid. Kerstin Stegemann afirmou que a dinâmica atual da seleção alemã foi resultado de um trabalho de longo prazo no qual a equipe foi conscientizada de que defender é um trabalho de todo o grupo e não só de quem fica na zaga.
Outra ‘lição’ das alemãs foi a da paciência e do equilíbrio emocional. O Brasil começou o jogo fazendo muita pressão mas o time alemão conseguiu segurar a peteca sem se desesperar. Serena, Birgit Prinz soube aproveitar uma das poucas oportunidades na qual tocou na bola para abrir o placar e a partir daí o Brasil não conseguiu se recuperar emocionalmente do susto. E a coisa só piorou depois que Marta perdeu o pênalti, aumentando a lista dos grandes atletas que viveram momentos malditos por causa do fundamento como Roberto Baggio, Zico, Sócrates… Mas, como costumo afirmar aqui na redação, só perde quem tem coragem de bater. Mas fica a meta já para a Olimpíada do ano que vem: aprender a combater a ansiedade e a não se desesperar na hora da adversidade.
Tudo o que estou dizendo acima não tem a função de tirar os méritos do resultado obtido pela seleção brasileira. As jogadoras disseram, com propriedade, que pelo apoio que recebem o vice-campeonato já foi muito. Concordo. Mas como todo brasileiro gosta de sonhar, bem que gostaria de ver as meninas conquistando em Pequim o ouro olímpico que os rapazes com todo o apoio que recebem, jamais conseguiram. Talento não falta, talvez só um pouquinho mais de trabalho em alguns detalhes que acabaram fazendo diferença na final de domingo.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: