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As loucuras que fazemos pelo o que amamos

miltonpazzi

30 de outubro de 2010 | 18h20

ARLINGTON, Estados Unidos – A famosa campanha de uma de das principais bandeiras de cartão de crédito do mundo sempre se enquadra para descrever um fã.  Nas 3h55 que passei no avião no vôo de São Francisco e Dallas conheci dois torcedores excêntricos e dispostos a tudo para acompanhar sua equipe, o San Francisco Giants. Um deles, que ficou com o assento da janela (sim, eu estava na coluna B, ou seja, no pior tipo de assento de um AirBus 320), continuava a usar o passe de acesso dos jogos 1 e 2, disputados na Califórnia.

Ele diz que não tira os passes pendurados no pescoço nem para tomar banho para dar sorte ao Giants. “Temos que terminar o que começamos”, avisou. Sua excentricidade lhe garantiu alguns segundos de fama numa transmissão ao vivo do Canal 4 (acredito que era isso) antes do embarque. Detalhe: ele desembolsou quase US$ 20 mil dólares para garantir os ingressos para todos os jogos necessários.

Já o outro torcedor mostrou o que é amar um clube. Com seus quase 70 anos, Carl revelou que torce pelo Giants desde quando a equipe jogava em Nova York, sua cidade natal. “Eu ouvi a World Series de 1954 pelo rádio”, contou todo empolgado. “Essa é uma oportunidade que não posso perder”.

Além dos dois, o avião estava repleto de torcedores do Giants. O comissário de bordo não hesitou e, mesmo não torcendo pela equipe de São Francisco, passou a seguinte mensagem pelo rádio: “Go Giants”.

No aeroporto de Dallas, fui perguntado a respeito do meio de comunicação do qual pertenço. Quando respondi que eu sou um jornalista brasileiro, a cara de espanto tomou conta do sabatinador. Primeiro disse que não pareço com um brasileiro (gostaria de saber o que seria isso, na prática), e depois ficou maravilhado por eu ter viajado tanto tempo para acompanhar a World Series. “Você deve realmente gostar de beisebol”, disse o rapaz de uma companhia de aluguel de carros. É… Ele tem razão.

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