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Brasileiro tira camisa para homenagear Chape e árbitro ‘finge que não vê’ para não punir

Estadão Esportes

04 de dezembro de 2016 | 18h50

A trágica queda do voo da Chapecoense na Colômbia sensibilizou todos os fãs de futebol ao redor do mundo, além, é claro, de quem está diretamente envolvido com o esporte, como os jogadores, técnicos, e árbitros – pelo menos um deles.

Neste sábado, durante uma partida do Campeonato Holandês, o brasileiro Nathan marcou um gol pela sua equipe, o Vitesse, na vitória sobre o PEC Zwolle por 3 a 1. Ele decidiu prestar homenagem à equipe catarinense, e, na comemoração, tirou a camisa para exibir uma outra, preta, com o símbolo da Chape em branco, como forma de luto.

Normalmente, quando os jogadores comemoram gols tirando as suas camisas de jogo por qualquer motivo que seja, eles são punidos com cartão amarelo – é uma orientação da Fifa, e que os árbitros em todo o mundo devem seguir à risca. No entanto, desta vez o atacante de 20 anos, com passagem pelo Atlético-PR, contou com a compreensão de Jochem Kamphuis, que apitou o jogo.

“Eu precisaria dar o cartão amarelo nessa circunstância, eu vi que ele tirou a camisa. Mas estava ciente de tudo o que aconteceu. Sei que ele perdeu amigos nesse desastre terrível, então fingi que nem vi, decidi me virar e ir para o outro lado do campo”, explicou Kamphuis, em entrevista ao portal holandês Telegraaf.

O árbitro demonstrou sensibilidade ao não cumprir a regra, que é obrigatória para a entidade máxima do futebol – o uruguaio Cavani foi punido ao realizar homenagem semelhante durante partida do Campeonato Francês no meio da semana.

“Foi um acontecimento tão terrível, e é especial para o jogador que marca um gol poder homenagear os seus amigos. Acho que foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado”, explicou.

A confederação de futebol da Holanda (KNVB, na sigla em holandês) afirmou demonstrar total apoio à ação do árbitro. “Às vezes você tem que se atrever a fazer as coisas de forma um pouco diferente do habitual”, afirmou Gijs De Jong, diretor técnico da entidade. “Árbitros são pessoas de carne e osso, que devemos valorizar. Claro que às vezes há exceções, mas esta foi a exceção que confirmou a regra”, explicou. Melhor para Nathan, que marcou o seu terceiro gol no campeonato.

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