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Como se faz um clube bilionário

Eliana Silva de Souza

13 de dezembro de 2006 | 11h38

Disputar a Copa do Mundo de Clubes da Fifa vai muito além da glória esportiva: é também uma questão de negócios. Para o Barcelona, por exemplo, só a simples chegada ao Japão, na segunda-feira, diante de um caos no Aeroporto de Narita, trouxe para o clube mais 15 sócios no país, que engrossaram o quadro de cerca de 2.000 sócios que o clube catalão tem no país do sol nascente, depois de excursionar por lá no início da temporada 2005/2006.

“Temos de mimar esses torcedores, pois suas demonstrações de afeto são extraordinárias. A ‘Barçamania’ está no auge no Japão”, afirmou o diretor comercial e de marketing do Barcelona, Esteve Calzada, numa palestra na Universidade de Waseda, em Tóquio.

Ele contou que está nos planos do clube uma pré-temporada no país no próximo verão, e afirmou que tem pesquisas que apontam o Barcelona como a mais popular entre as 14 equipes estrangeiras que passaram por terras japonesas nos últimos anos. “Estamos no mesmo nível do Urawa Red Diamonds”, citou, referindo-se ao atual campeão japonês, dono da maior torcida do país.

Vale lembrar que o Barcelona é o único dos grandes clubes do mundo a nunca ter contado com patrocínio na camisa – hoje, ele estampa gratuitamente o logo da Unicef, como parte de campanhas humanitárias e do próprio marketing daquele que se entitula “mais que um clube”. O sustento sai dos direitos de TV, dos produtos licenciados e dos sócios, que, na Espanha, têm prioridade e desconto na compra de ingressos para os jogos em casa. O que leva um japonês a ser sócio do Barcelona? Facilidade para ver os jogos no Camp Nou é que não é, e sim futebol bem jogado, grandes astros e, claro, um estupendo trabalho de marketing – coisa que, no Brasil, ainda está longe de funcionar.

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