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Como se perder em Munique

Luiz Zanin Oricchio

28 de junho de 2006 | 06h25

No último fim de semana saí para conhecer Munique, crente que saberia o caminho de volta. Logo eu, que consigo me perder no meu próprio bairro.
Nas imediações do hotel, bem longe do Allianz Arena, estádio onde um dia antes vi a Alemanha vencer a Suécia por 2 a 0, nenhum sinal de Copa do Mundo. Nem bandeirinhas nos carros nem alemães histéricos gritando DÓITCHLAN (tradução livre). Procurei o centro, o Zentrum deles, aí sim encontrei um grupo de pessoas com camisas laranjas. Holandeses, talvez? Não, na verdade participantes de uma mini-maratona que estava sendo ealizada na cidade. Me entreti demais com as contruções, estátuas de Munique, andei mais ainda e, quando percebi, estava perdido.
Na hora falou mais alto meu espírito de escoteiro, que nunca fui. Como no caminho passei pelo Rio Isar, que corta a cidade, pensei, orientado por meus ancestrais indígenas: basta seguir o rio que eu me encontro. E foi o que fiz.
Achei o bendito Isar, descobri um ponto de referência, uma igreja imensa que me parecia familiar, e pronto: nunca tinha estado naquele lugar em minha vida, percebi de imediato. Já estava até em dúvida se continuava em Munique, nem sei se ainda estava na Alemanha, para falar a verdade.
Procurei então os táxis da cidade e os poucos que encontrei vazios pareciam decididos a fugir de mim. Em resumo: mais de cinco horas de caminhada, pés doloridos e atraso para mandar minhas matérias. Mas com um detalhe: se perder em Munique é melhor do que no bairro de Perdizes, onde moro em São Paulo.

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