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É preciso respeitar o ídolo brasileiro

miltonpazzi

22 de fevereiro de 2008 | 15h57

“Minha vontade é continuar a jogar. É o que meu coração pede. Mas meu corpo dá sinais de que está muito cansado e pede descanso”. Esta declaração foi feita por ninguém menos que Ronaldo, o Fenômeno, que nos encantou com seu futebol, e que agora passa por mais uma dificuldade em sua carreira, já que terá um longo processo para se recuperar de uma operação no joelho esquerdo.

O curioso desta declaração é que ela é quase idêntica à frase de outro desportista notável do Brasil, o tenista Gustavo Kuerten, o Guga, que, ao ser eliminado na primeira rodada do Brasil Open, chorou e disse que lamentava muito, mas não tinha mais condições de jogar como profissional, sensibilizando a todos, inclusive àqueles que sempre duvidaram de sua capacidade dentro das quadras de tênis e colocavam sua lesão no quadril como sendo algo de ficção científica.

O que será de Ronaldo, ninguém sabe, nem ele mesmo, de acordo com sua entrevista coletiva, desta sexta-feira, e pouco importa. O que importa é sabermos respeitar o que ele fez dentro de campo, assim como Guga fez dentro da quadra. O brasileiro precisa respeitar seu ídolo, e não execrá-lo quando este se encontra numa situação delicada.

Quanto a isto, eu bato palmas aos norte-americanos, que sabem como ninguém como respeitar um ídolo, principalmente do esporte. Uma atitude simples, como aposentar a camisa do jogador, ou colocá-lo no “Hall da Fama”, chega a ser uma das homenagens mais belas que já vi. Lembro-me de quando Eurico Miranda aposentou a camisa 11 de Romário. A maioria da imprensa achincalhou a atitude, assim como a estátua colocada em São Januário. Isto mostra o quanto estamos longe de realmente respeitarmos nossos ídolos. E que fique aqui o registro que não é um elogio ao presidente interino do Vasco, e sim à atitude em si.

Talvez o maior exemplo de desdenho para com um ídolo seja o que o Santos faz com Pelé. É certo que Pelé deixou de ser a figura mítica de outrora para virar um garoto-propaganda de quase tudo (Di Stefano disse isto durante a homenagem que recebeu, na semana passada, com uma estátua), mas isto não anula o fato de Pelé ser o atleta do século, pelo menos para os amantes do futebol. E como é que a camisa 10 continua sendo utilizada no Santos? Eu, particularmente, acho patético ver jogadores utilizando tal camisa. Ela deveria ser imortalizada, assim como Guga e Ronaldo. Maneiras para isto existem, e a primeira delas é o respeito.

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