Em busca do amor perdido
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Em busca do amor perdido

Antero Greco

15 de janeiro de 2010 | 18h04

love600A vida prega algumas peças – e na categoria das que bagunçam o coreto de qualquer cristão se encaixam as que se referem a sentimentos. Nada como uma grande paixão para às vezes entortar o vivente, de tal forma que não há meio de desempená-lo. O que se desenhava como sólida relação amorosa pode ruir num sopro de lobo besta, como na história dos três porquinhos. A casa cai no primeiro abalo, expõe fragilidades e sobram espanto, desilusão e mágoa.

É como vejo o fim da passagem de Vagner Love pelo Palmeiras. Torcida e clube se apegaram a início fulgurante do centroavante, quase sete anos atrás, e durante muito tempo sonharam com sua volta. Love era cultuado como o último grande goleador que passara pelo Palestra Itália – e alicerçou a fama com bom desempenho na Série B de 2003. A Segundona nacional catapultou o jovem atacante das trancinhas para a seleção e para o intrépido futebol russo.

Love ensaiou o retorno em um punhado de ocasiões – na mais célebre pagou mico ao posar para fotos segurando a camisa do Corinthians, que pretendia repatriá-lo com o dinheiro da MSI. O negócio furou, ele continuou no CSKA, viu frustrado o plano de transferir-se para centros mais badalados da Europa, marcou muitos gols em rivais inexpressivos e ainda assim ganhou inúmeras chances no time de Dunga. Até ser superado por Luís Fabiano.

O Palmeiras surgiu como a chance de Vagner Love retomar rumo na carreira, de colocar-se em vitrine de luxo. Foi um parto da montanha trazê-lo de volta e se criou expectativa desmedida. Desembarcou como a estrela da companhia e na hora da definição do título definhou. Os gols escassearam mais do que água no deserto e a torcida o pegou pra Cristo – ou melhor pra Judas, tanto que uns miolos-moles tentaram malhá-lo, bem pertinho do clube, e levaram tabefes.

Love se transformou no símbolo do fiasco palestrino no Brasileiro de 2009. Não jogou grande coisa e não deixa saudades, mas é exagero concentrar nele a ruína do time. Outros jogadores sumiram, técnico e cartolagem cometeram erros e o resultado foi fim de ano melancólico. O desentendimento com os fãs foi a gota d’água que Love buscava para levantar acampamento e se mandar para outra freguesia. Tanto fez que conseguiu ir para o Flamengo, de quem é fã desde criancinha. Que reencontre o carinho perdido no campeão brasileiro. E que o Palmeiras não se perca em amores passados. Se bem que, em assuntos de coração, quem não faz uma besteira atrás da outra?

CASA DESARRUMADA
O Paulistão sofreu abalo, ontem pela manhã, com a notícia de que nove estádios estavam vetados e outros tantos liberados com restrições. Foi um corre-corre danado, de dirigentes de clubes e da Federação Paulista, na tentativa de colocar panos quentes e acalmar o público. Falou-se até que “todo início de ano é assim mesmo”. Ah, tá bom. Se sempre é assim, por que não deixam os campinhos preparados de forma minimamente decente para o mais importante torneio estadual do País? Brincam com a sorte.

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