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Força, Argentina!

Antero Greco

10 de setembro de 2009 | 22h23

Vi muita gente vibrar com a derrota da Argentina, quarta-feira, em Assunção. Não é pra menos: o resultado de 1 a 0 para o Paraguai aumentou o risco de a seleção hoje sob o comando de Maradona ficar fora de um Mundial, o que não acontece desde 1970. Se meus ouvidos continuam bem apurados, sou capaz de cravar que escutei um ou outro rojão gaiato iluminar a noite no belo gol de Nelson Valdez.

Nada tenho contra a preferência de quem quer que seja e jamais incentivarei a “torcida única”. Seria a morte do futebol, que fascina, como a própria vida, porque tem conflito, paixão, incoerência. E porque ainda permite a gozação – a tragédia desenhada dos hermanos é prato cheio nestas bandas no Sul da América.

Sempre curti tirar um sarro, porque é de direito, mas afirmo sem hipocrisia que torço pela reação da Argentina. Que ela se classifique, mesmo na repescagem contra algum gato pingado da América Central. Copa sem os vizinhos empobrece. E nada melhor do que derrotá-los lá, como fizemos em 74, em 82. Como também não tem tropeço mais constrangedor de que perder para eles, como na Itália, em 90.

Desde garoto acompanho os Mundiais como o máximo no futebol. O momento em que se encontram as melhores seleções e em que cada jogo é uma batalha inesquecível. Gostemos ou não, a Argentina faz parte de uma casta nobre no trato com a bola. Na semana passada, escrevi neste mesmo espaço, que vejo brasileiros e argentinos como os maiores geradores de craques. Trata-se de uma convicção.

A Fifa democratizou as Copas, por irrefreável pressão econômica, e abriu espaço para times de segunda linha, que não disputariam sequer o Paulistinha. Vá lá, então, que compareçam vez ou outra Coreias, Costa Rica, Senegal, El Salvador, Irlanda. Não precisam ficar à margem da festa. Mas Mundial, pra ser bom no duro, tem de ter Argentina, Itália, Alemanha, Espanha, Uruguai, Holanda.

O que você prefere: uma final com os argentinos ou diante da Bulgária? Prefiro infinitamente contra a Argentina, mesmo porque os búlgaros só chegarão um dia à decisão por obra do Espírito Santo.

Não sou adepto fervoroso do politicamente correto – digamos que aprecio esse modismo, com ressalvas. Porém, não me convence quem diz que torce contra a Argentina por causa de Maradona.

Ele é convencido, posudo, falastrão, enganador. Sobram adjetivos pouco dignificantes para justificar rejeição para o astro de ontem. A luta perene que mantém contra as drogas também serve de argumento para diminuí-lo – e nisso enxergo alma mesquinha. Dieguito foi espetacular, irrequieto, divertido, criativo, desestabilizador, contestador. Quem ama o futebol não pode deixar de amar o mito Maradona. Torço por ele, embora não sei se vá emplacar como técnico.

A promoção de Maradona a treinador foi tentativa desesperada da cartolagem para reerguer a seleção. Imaginou-se que o carisma do craque passasse para os jogadores por osmose. Por enquanto, não deu certo. Ao contrário do que supôs a CBF ao chamar Dunga, depois do caos de 2006.

Na visão de seu mandachuva era preciso um sujeito com estilo marcial, e o capitão de 94 tinha esse perfil. No momento, vai muito bem.

Por falar em Dunga, seu trabalho apresenta resultados sólidos. Mas quando será que ele aprenderá a sorrir e abrir mão de ressentimentos?

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