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Guga voltou a assustar

Eliana Silva de Souza

29 de janeiro de 2007 | 20h39

É óbvio que a atuação de Gustavo Kuerten nesta segunda-feira, em sua estréia no Torneio de Viña del Mar, ficou a anos-luz do que ele já mostrou. Guga errou bolas fáceis, exagerou na força em muitos momentos, não teve arranque para correr atrás de bolas distantes, enfim, mostrou todas as deficiências provocadas pela falta de ritmo de jogo que o despacharam para baixo do milésimo lugar no ranking mundial.

Mas houve alguns detalhes que deixaram o cenário animador para os fãs de Guga. Por exemplo, ele não foi apático: vociferava consigo mesmo a cada erro, batia com a raquete na quadra em alguns momentos, mostrava que, se o corpo não ajuda, a mente está preparada para lidar com a atual realidade, com a necessidade de reagir a cada ponto.

E outra coisa animadora foi ver a reação de Oscar Hernandez. Tenista mediano, sem grande destaque no circuito, ele parecia ciente de que não estava enfrentando qualquer um lá no pé da lista da ATP, mas que tinha do outro lado da quadra um ex-número 1 do mundo, tricampeão de Roland Garros. A cada ponto que fazia, o espanhol vibrava como se Guga estivesse em seu auge, como se o jogo fosse na Phillippe Chartier, a quadra central de Roland Garros, como se do outro lado estivesse o monstro Roger Federer.

Ao contrário das derrotas que sofreu no ano passado, quando jogou pela Copa Petrobras e foi atropelado pelos adversários, Guga desta vez se fez respeitar. Assustou. É um bom começo – ou melhor, um recomeço. Como a história vai terminar, provavelmente nem Guga sabe. Mas ele pode ter certeza de que o Brasil todo está na torcida por um final feliz.

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