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Inferno na Torre

Luiz Carlos Merten

25 de junho de 2006 | 08h29

Você que nunca passou pela experiência de ser acordado no meio da madrugada por um alarme de incêndio, nem queira saber como é. Ocorreu comigo, na noite passada, em Colônia, e foi uma situação digna de filme de terror. Passava da meia-noite e meia, fazia pouco mais de quarenta minutos que eu estava dormindo, quando dei um pulo da cama, ao som de uma estrondosa voz em Inglês e Alemão: “Senhoras e senhores, por favor, saiam imediatamente do hotel ! Esta é uma emergência, não usem o elevador, saiam pelas escadas”.
Olho pela porta, e vejo crianças e mulheres correndo de um lado para o outro… na hora, lembrei de “Inferno na Torre”, filme dos anos 70 no qual um mega-edifício é consumido por um incêndio criminoso e milhares de pessoas morrem.
Mais do que depressa, peguei as malas e desci. Na calçada, dezenas de pessoas, a maioria brasileiros, estavam sem entender nada. Chega o caminhão do Corpo de Bombeiros e os soldados entram no prédio. Inspecionam tudo, esperamos meia hora, e somos autorizados a voltar para os quartos.
Segundo funcionários do hotel, é a terceira vez que isso acontece, em seis meses. Pode ser um defeito no sistema de alarme ou algum hóspede que não respeitou o aviso de não fumar, e a fumaça do cigarro – além de gradativamente aniquilar o próprio sujeito – quase matou do coração dezenas de pessoas.
Nem quero saber a causa do problema. Só sei que praticamente passei a noite em claro e presenciei momentos de desespero. Por mais breves que tenham sido, foram os piores da minha vida.

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