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Kusturica filma a ‘vida e obra’ de Maradona

Ricardo Lombardi

22 de março de 2007 | 11h50

O diretor bósnio Emir Kusturica concluiu as filmagens do documentário sobre o ex-craque argentino Diego Maradona e anunciou que o novo filme poderá ser lançado antes do próximo Festival de Cannes, que acontecerá em maio.

Mais conhecido por seus filmes ficcionais – ganhou a Palma de Ouro com “Quando Papai Saiu em Viagem de Negócios” (1985) e “Underground (1995)” – este é o segundo documentário de Kusturica, o primeiro foi “Memórias em Super 8”, onde ele mostra uma turnê de sua banda No Smoking.

O longa, intitulado “No te Olvides de Fiorito” (Não se Esqueça de Fiorito), foi rodado durante um ano e meio no bairro homônimo de Buenos Aires, onde Maradona nasceu, assim como em Belgrado, Itália, Barcelona e Cuba, entre outros lugares.

Kusturica trabalha no filme há dois anos e diz que as filmagens vinham se prolongando por ter demorado a se encontrar com Maradona para uma última entrevista, indispensável para completar o material.

“Maradona não tem nenhuma noção de tempo. Precisei viajar três vezes à Argentina para fazer a entrevista final, mas acabei conseguindo”, contou o cineasta, que mesmo sendo conhecido como uma pessoa ‘difícil’, reconheceu que o argentino superou todas as suas expectativas no quesito maluquice e rebeldia.

“Ele entrava em conflito com cada autoridade, mostrando assim o traço básico de sua personalidade. A maioria dos conflitos aconteceu em clubes nos quais os ricos empresários exigiam mais disciplina dele”, disse Kusturica. “Na verdade, ele se rebelava contra a organização, contra a ordem”, acrescentou.

Segundo o cineasta, o filme terá sete capítulos, cada um relacionado a um pecado capital. Todos começarão com lances famosos do jogador, entre eles o famoso gol que Maradona marcou contra a Inglaterra na Copa de 1986, pouco depois da Guerra das Malvinas, conflito em que os argentinos foram humilhados pelos ingleses.

No documentário, Maradona confessa a Kusturica que começou a se drogar quando ainda estava no Barcelona, mas que só foi “descoberto” mais tarde, na Itália. O diretor revela ainda que Maradona não compareceu a uma audiência com o papa João Paulo 2.º por ter ingerido, nesse dia, “uma grande dose de narcóticos”.

“Quando acabar o filme sobre Maradona, o melhor jogador do mundo, não posso permitir que esta fita seja uma produção qualquer. Ainda me resta muito trabalho com a montagem”, lamentou o diretor, que pode entender muito de cinema, mas será que também de futebol?

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