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Me senti o Ronaldinho Gaúcho

Luiz Zanin Oricchio

04 de junho de 2006 | 20h02

Caiu por terra a impressão que eu tinha dos alemães logo em meu primeiro dia no país. Ao andar pelas ruas de Berlim, me surpreendi com um povo risonho, brincalhão e que se esforça para ser simpático com os turistas. Se não fosse pela ajuda dos habitantes da cidade, por exemplo, estaria perdido até agora em uma das dezenas de linhas, centenas de estações do eficiente e assustador serviço de trens da capital da Alemanha.
Simpatia ou veneração? Sim, porque eu estava com um emblema do Brasil nas costas e outro no lado esquerdo do peito, é assim o desenho do casaco confeccionado pelo jornal como nosso uniforme, na cor azul e com detalhes em verde e amarelo. E como em época de Copa do Mundo, Brasil vira potência, empinei o nariz e saí pela cidade.
Diversas vezes notei olhares do tipo “Brasil, Pelé, carnaval, Carmem Miranda” para o meu lado. Um grupo de jovens comentou em voz alta algo sobre os brasileiros, mas como minha fluência em alemão não permitiu sequer que a comissária de bordo entendesse que eu queria água (Wasser), não sei sobre o que eles estavam falando.
Ao passar em frente a estação de trens de superfície, aqui chamada de S-Bahn, um garoto de quatro anos aproximadamente teve de ser arrastado pela mãe porque, sabe-se lá o motivo, resolveu acompanhar meus passos: deve ter pensado que eu era algum jogador da seleção brasileira. Me senti o Ronaldinho Gaúcho.
Próximo à sala de imprensa onde fui buscar minha credencial, um senhor me parou na calçada: “Você é brasileiro”, perguntou fulminante, em inglês. Disse ter um tio que conheceu o Rio de Janeiro e adorou. Contou ainda que, apesar de ser francês (aqui parece só existir estrangeiros, aliás, mas em outra oportunidade falo sobre isso), torceria para o Brasil. “Boa sorte para você na Copa”, foi sua despedida. E não sei se estava falando de minha cobertura jornalística ou do desempenho do time de futebol.

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