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Meio-termo

Flávia Tavares

15 de junho de 2010 | 17h50

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Nós não sabíamos muito dos nossos adversários. Mas, já nas primeiras imagens captadas pela Fifa, aquelas das arquibancadas no pré-jogo, pudemos entender, pelo menos, um pouco das diferenças entre o jeito de torcer de cada um. Os brasileiros coloridos, saltitantes, com bandeiras da Portuguesa, do Vasco, do Corinthians, com chapéus de cangaceiro, óculos gigantes de plástico. Os norte-coreanos sentados, vestindo o que parecia ser um uniforme, agasalhos vermelhos idênticos, bandeirinhas bem cortadas, disciplinadas.

Quem imaginava ver essa mesma diferença, da alegria versus a disciplina, em campo, deve ter se esquecido que Dunga imprimiu também a sua equipe um rigor quase militar. E, assim, o primeiro tempo foi de um Brasil nervoso e sério e de uma Coreia do Norte extremamente focada. O zero a zero no placar refletia uma seleção brasileira empacada na sisudez norte-coreana.

A ampla maioria das jogadas do nosso lado foram pela direita, com Maicon lançando a bola para a área e ninguém conseguindo colocar a bola no chão para fazer uma jogada surpreendente. Chuveirinho, vamos combinar, não é muito nosso estilo. É muito mais o jeito dos times europeus… onde jogam quase todos os jogadores do Brasil. Faz sentido.

Kaká não acertava os passes, Luís Fabiano não conseguia girar e, visivelmente tenso, fez várias faltas de ataque. Robinho viu aí a chance de brilhar e tentou em lances individuais. Sem sucesso, quem apareceu mesmo foi Michel Bastos, com chutes de fora da área, que até levaram algum perigo ao gol adversário.

O norte-coreano chorão – aquele que se derramou em lágrimas durante o hino nacional de seu país e fez dois golaços no amistoso contra a Grécia – também mostrou serviço, sendo o mais eficiente dos oponentes. O “Rooney asiático” como é conhecido Jong Tae-Se até tentou dar uma caneta em Juan. Não era para tanto.

Na etapa final, Kaká voltou melhor. Os passes entre os brasileiros melhoraram e os coreanos pareciam cansados. Se o jogo estava todo centrado nele, foi ele mesmo quem resolveu: aos 10 minutos, Maicon recebeu pela direita, acreditou, fechou o olho, chutou sem ângulo e fez um golaço. Alívio geral, alívio de Dunga, com sua gola rolê e seu casaco napoleônico. Oito minutos depois, Luís Fabiano perdeu gol feito, isolando a bola.

Robinho finalmente brilhou em um passe que valeu meio gol para Elano, aos 27 minutos. E o ex-companheiro de Santos marcou. Até o Dunga se empolgou e decidiu sacar o próprio Elano para a entrada de Daniel Alves. Pouco depois, tirou Kaká para colocar Nilmar. Ramires no lugar de Felipe Melo. Que isso, professor? Um time ofensivo assim não é tua cara. Talvez nem os jogadores tenham acreditado e, atônitos, perderam a concentração: a Coreia do Norte fez um gol no finzinho e acabou com o meu bolão.

Foi uma exibição sonolenta no primeiro tempo e razoável no segundo. Falta muito para empolgar, mas não decepcionou tanto assim. Resta saber se, com tanto meio-termo, ganha-se uma Copa do Mundo.

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