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Mundial já tem um finalista

Antero Greco

15 de outubro de 2009 | 22h50

Não sou fissurado em números e apoio uso criterioso de estatísticas em esportes, sobretudo no futebol. Jamais me convenci de que dá para reduzir a fórmulas matemáticas atividade que conta muito com o improviso e com o imponderável. Emoção pesa em tudo – e como!

Mas me arrisco hoje a afirmar, com base em análise numérica – vá lá, é mais constatação curiosa -, que a Copa de África já tem pelo menos um finalista, que sairá do bloco formado por Brasil, Itália, Alemanha e Argentina. A certeza se consolidou na noite de quarta-feira, com a classificação da equipe dirigida por Diego Maradona.

Intuição? Sim. Palpite? Sem dúvida, mas com base na história. Desde a primeira Copa, disputada em 1930 no Uruguai, sempre a decisão do título teve no mínimo um representante desse quarteto de gigantes da bola, ou mesmo dois, em várias ocasiões. A conquista da taça só não ocorreu nas edições de 30 e 50 (Uruguai), 66 (Inglaterra) e 98 (França).

Vamos refrescar a memória, para não acharem que estou na base do chute? Então, recapitulando: 1930 – teve Argentina na final; 34 e 38 – Itália; 50 – Brasil; 54 – Alemanha; 58 e 62 – Brasil; 66 – Alemanha; 70 – Brasil e Itália; 74 – Alemanha; 78 – Argentina; 82 – Itália e Alemanha; 86 e 90 – Argentina e Alemanha (primeiras finais repetidas); 94 – Brasil e Itália, de novo; 98 – Brasil; 2002 – Brasil e Alemanha; 2006 – Itália.

Tem uma provocação que costumo fazer com amigos eventualmente empolgados com alguma seleção. Quando me falam que a Holanda voltará a ser o Carrossel dos anos 70, ou que a Espanha “agora vai”, ou que a Inglaterra está tinindo, mando de primeira: “No duro, no duro, quem joga bola é Brasil, Itália, Argentina e Alemanha. O resto é perfumaria.”
Falo para estimular a polêmica, mas não há como negar que essas quatro camisas pesam, impõem respeito, atemorizam adversários. Argentinos e brasileiros tradicionalmente revelam craques, enquanto italianos e alemães despejam gerações de bons e aplicados talentos.

Por isso, fiquei feliz com a classificação da Argentina. E, pelo que pude sentir, mais uma vez remei contra a maré, como aconteceu no caso dos Jogos de 2016, em que me choquei com a euforia quase generalizada. Sei que, por causa da rivalidade histórica com os hermanos, muita gente torcia pelo Uruguai e mesmo por vitória do Equador. A combinação de resultados poderia tirar os argentinos da Copa. A Celeste Olímpica, outrora tão poderosa, não resistiu à mística dos vizinhos do outro lado do Rio da Prata e, sem trocadilho, entregou o ouro. Ganha o Mundial de 2010, ganha o futebol. Dale, Argentina!

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