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Não dá para aceitar esse futebol medíocre

Luiz Zanin Oricchio

25 de junho de 2010 | 13h23

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O objetivo de ficar em primeiro lugar do grupo pode até ter sido alcançado. O Brasil pode até mesmo seguir em frente e vir a ser campeão. Tudo bem, e o futebol é assim mesmo, cheio de surpresas e incongruências. Mas, cá entre nós, não dá um certo desespero ver a seleção brasileira, cinco vezes campeã do mundo, jogar desse jeito? É tudo muito miúdo, muito pouco ambicioso, muito realismo demais para o meu gosto. E, imagino, para o gosto da imensa maioria da torcida brasileira, acostumada a um futebol mais rico, mais cheio de alternativas, mais vistoso e eficaz do que este.

Na verdade, o jogo, pelo menos no primeiro tempo, acabou sendo o teste involuntário do que significa jogar sem Kaká, expulso contra a Costa do Marfim e portanto suspenso. Mais: Portugal jogou de maneira inteligente e inverteu a expectativa brasileira. Cozinhou o galo e ficou esperando para sair no contra-ataque, que é justamente a situação que o Brasil mais gosta. Fez Dunga provar do próprio veneno, se é que se pode chamar de veneno essa maneira previsível de jogar.

E então tivemos a seleção brasileira, sem criatividade no meio de campo, tentando furar um bloqueio feroz. Portugal quase acertou um ou dois contra-ataques. Seria mortal. Mas o Brasil também chegou lá duas vezes. Nilmar precisa ousar mais. Quando tenta a jogada individual vai bem e desorganiza a retranca portuguesa. Mas não é suficiente.
Maicon tem feito a diferença pelo setor direito. Tem vigor físico, chuta bem, cruza melhor ainda. Mas é um time penso para o lado direito, pois o setor esquerdo, com Michel Bastos, não funciona. Será assim até o final do jogo.

O primeiro tempo mostrou o que já se sabia. Quanto o Brasil tem de atacar um time retrancado não tem criatividade, ainda mais sem Kaká. Se o Brasil acomoda o jogo ao que quer – postado na defesa, saída rápida em contra-ataques, vai melhor. Caso contrário, tem dificuldades. O jogo é de paciência. Porém violento.  Feio, feio.
No segundo tempo, Portugal muda a tática e o Brasil entra em desespero. Durante uma boa parte do tempo parece que vai tomar o gol. Que acaba não acontecendo porque Portugal também, convenhamos…não é lá essas coisas.

O jogo fica chato, chato. E assim termina. O Brasil teve uma única chance de gol, no chute de longe de Ramires, que esbarrou num adversário. Convenhamos: é muito pouco. É medíocre.

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