O ‘xodó’ e o ‘monstro’
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O ‘xodó’ e o ‘monstro’

miltonpazzi

16 de setembro de 2010 | 00h41

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Tenho um amigo que não hesitou. Comprou a passagem de avião, o ingresso, tirou a camisa do armário e partiu para o Rio de Janeiro para torcer pelo Corinthians na partida diante do Fluminense. Teve sorte. Viu sua equipe de coração vencer por 2 a 1 e, de quebra, dividir a liderança do Brasileirão, justamente com o adversário batido, com 41 pontos.

O exemplo deste meu amigo reflete a confiança do torcedor corintiano. Depois de um primeiro semestre decepcionante, o Corinthians vê a clara chance de conquistar o Brasileirão no ano de seu centenário, aplacando, assim, as gozações de torcedores de clubes rivais.

O XODÓ. Dentro de campo, Jucilei ganha status de ídolo da Fiel. Autor do primeiro gol da vitória sobre um Fluminense – à beira de um colapso -, o volante não vê jogada alguma como perdida. Marca, toca e, o mais importante, vai ao ataque para ajudar o setor mais deficitário da equipe, uma vez que Ronaldo continua com sua luta para, finalmente, jogar com regularidade.

O MONSTRO. Ao contrário de Jucilei, o atacante Neymar parece que ainda não entendeu a importância que tem para a equipe do Santos, sua torcida e, por consequência, o futebol brasileiro.

A ideia do Santos em transformar o atacante em “mito” parece que subiu à cabeça de Neymar. Depois da irritação, durante a derrota por 2 a 1 para o Ceará, sobre a marcação dos adversário, o atleta tratou de xingar o técnico Dorival Jr após ter sido repreendido por uma firula na vitória por 4 a 2 sobre o Atlético-GO, na Vila.

“Estou extremamente decepcionado. Eu poucas vezes vi alguém tão mal-educado como esse rapaz Neymar”, disse o técnico adversário, René Simões, que concluiu: “Está na hora de alguém educar esse rapaz, estamos criando um monstro.”

Monstro talvez seja uma definição um tanto quanto forte para um garoto de 18 anos, que tem de conviver com os prós e contras da fama. Mas Neymar precisa urgentemente de algum tipo de repreensão por parte do Santos. O atacante precisa entender que não está acima do bem e do mal. Caso contrário, sua carreira estará ameaçada. E isso seria um desperdício.

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